E agora, esses fatos haviam sido ouvidos pela mãe dela, e ainda por cima, ela já sabia sobre o relacionamento dela com Nélio.
Tudo isso junto... fazia com que sentisse uma vergonha imensa.
"Você está com pena de terminar com ele, não é?" O tom de Tereza estava calmo, mas algo soava estranho.
"Não, eu já conversei com ele, ele concordou."
"Concordou em terminar?"
"... Sim!"
"E o trabalho?"
"Trabalho é trabalho, sempre soubemos separar as coisas, então pretendo continuar trabalhando."
Heloísa procurou fazer sua voz soar firme, sem mostrar hesitação.
Tereza ficou em silêncio por alguns segundos. "Está bem, mamãe entendeu. Vou desligar agora."
Heloísa não tinha certeza se ela acreditava ou não.
"Tudo bem, quando eu tiver um tempo, eu passo aí para ver você e o papai."
Do outro lado, Tereza desligou sem responder.
Foi exatamente como ela havia previsto.
Sentou-se no sofá, repassando em sua mente tudo o que acabara de ouvir, sentindo uma onda de calor no peito...
Já que a filha desejava esse relacionamento, faria de tudo, até arriscar tudo, para vê-la feliz.
Pegou o celular, procurou um número e ligou.
Heloísa estava aborrecida.
Parecia que sua mãe não acreditava nela.
Ela voltou ao seu lugar.
O pessoal do departamento de secretaria estava um pouco constrangido para encará-la, afinal, tinham se empolgado tanto na conversa que quase disseram que a esposa do presidente queria uma moça rica como nora.
"Por que todo mundo ficou em silêncio?" Heloísa sorriu, pegando os hashis.
"Secretária Madeira, não foi por mal, não fique chateada."
"A esposa é a esposa, o presidente é o presidente, né?"
"Isso mesmo! Heloísa, a gente acredita que você vai conseguir vencer a Senhorita Dias e a Assistente Gomes, com certeza também vai superar essa moça rica."
"..."
O almoço durou menos de uma hora?
Obviamente, o "príncipe herdeiro" encerrou o almoço por conta própria, deixando o "campo de batalha" para o velho pai e indo embora antes.
Ainda faltavam trinta minutos para terminar o intervalo do almoço.
"Tok, tok—"
Nélio bateu na porta do escritório de Heloísa e entrou.
Heloísa estava deitada no sofá, tirando um cochilo.
As cortinas abertas, luz acesa, o ambiente quase tão claro quanto do lado de fora.
Ela abriu os olhos um pouco, viu quem era, virou-se e fechou os olhos novamente. "Por que voltou tão cedo?"
Nélio observou o ambiente em que ela descansava.
A noite anterior realmente havia sido assustadora...
Sentou-se na beirada do sofá e passou a mão grande na perna fina dela. "Muda para o último andar, vai ser mais seguro."
Heloísa respondeu: "Deixa pra lá, logo você vai se encontrar com a moça que salvou sua mãe como forma de agradecimento. Nesse momento, melhor não provocar sua mãe, querido."

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