Nélio também ficou um pouco surpreso. "Tudo bem, então está cancelado."
Assim que terminou de falar, Vânia, de repente, pulou e o abraçou; o movimento foi tão rápido que nem Heloísa conseguiu ver claramente.
Nélio franziu a testa com impaciência e tentou afastá-la.
"Dez minutos, me deixa te abraçar por dez minutos, depois disso eu não vou mais te incomodar." Vânia gritou, com a voz carregada pelo choro.
Mas Nélio ainda assim a empurrou.
Ele não cedeu diante daquele último pedido; sua voz era calma, mas cruel. "Adeus."
Ele passou por ela, sem hesitar nem por um segundo.
Heloísa o acompanhou lentamente.
Dez minutos, não é tanto tempo assim.
Mas, se concedidos, talvez esses dez minutos de compaixão se transformassem em vinte, trinta... e acabariam se tornando uma prisão do tempo, uma gaiola da qual Vânia não conseguiria sair, acreditando sempre que ainda teria uma chance.
Ele não estava errado em agir assim.
De certo modo, também era para o bem de Vânia.
"Heloísa, anda mais devagar, já está quase amanhecendo."
Nélio parou à frente, esperando por ela.
"……"
Heloísa acelerou o passo até alcançá-lo.
Ele segurou a mão dela, a palma quente e seca envolvendo sua mão fria e úmida. "Vamos, vamos voltar para Cidade Y."
Eles seguiram juntos caminho à frente.
Enquanto isso, Vânia continuava parada ali. Ela não olhou para trás, não correu atrás deles; em seu coração, ecoava repetidas vezes aquele adeus dele…
Adeus…
Ela cobriu o rosto e chorou amargamente.
Ao descer as escadas, Heloísa não aguentou e perguntou: "Então, presidente, posso perguntar uma curiosidade? O senhor e a Srta. Gomes já se amaram alguma vez? Ouvi muitos boatos... Dizem que o senhor só sente ódio por amor, que vocês se amam e se odeiam, ou então que o senhor abriu mão dela pelo seu irmão. No final das contas, o que é verdade?"
Nélio: "……"
Ele franziu as sobrancelhas. "Onde você ouviu isso?"
Heloísa, é claro, não poderia entregar Luan e Helder. "Ah, foi o Presidente Lima que comentou."
Ainda mais sendo perseguido por uma "ex-namorada" inventada, alvo de fofocas e perseguição por tantos anos… Se fosse ela, só de ver a pessoa já se irritaria. Ele até que era muito estável.
"Você... também não tem vida fácil."
Nélio pensou que ela estava falando deles dois. "Não tem problema, a vida nunca é fácil para ninguém."
Heloísa: Sim, ele tem uma compreensão profunda da vida.
Cada um pensando em coisas diferentes, saíram do casarão e voltaram para o carro.
Quando partiram, um carro os seguiu ao longe.
Ao embarcar novamente, havia três pessoas a mais no avião, e Nélio pediu que se sentassem nos fundos.
Sra. Lima tomava um suco natural pedido à Mia, enquanto fitava Heloísa sem piscar. Aqueles belos olhos de raposa… Ela tinha a estranha sensação de já tê-los visto antes.
"Secretária Madeira, você também esteve no baile, não foi?"
"Sim, estive sim, mas acho que a senhora não sabia de antemão. Fui levada por uma amiga." Heloísa respondeu sorrindo.
Sra. Lima: "Ah, entendi, era isso então, estava me perguntando mesmo."
De repente, ela reconheceu aqueles olhos… Não era aquele vestido verde?

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