Heloísa ficou parada em silêncio.
Esperou que ele se aproximasse.
Ela não tinha medo daquela expressão fria dele, quem ele achava que assustava?
Luan: Eu mesmo!!!
Helder foi ao encontro dele todo animado, como se fosse um órfão perdido que finalmente encontrara o pai. "Grande senhor, cheguei!"
O grande senhor manteve o rosto sério, com vontade de lhe dar uma surra.
"Como foi que eu te orientei? Hein?"
"Se estiver bravo, pode me bater." Helder assumiu uma postura de quem já estava ali mesmo, pronto para apanhar ou ouvir uma bronca, afastando o paletó preto para os lados. "Vai, pode bater."
Nélio franziu as sobrancelhas com força.
Não tinha jeito com esse moleque casca grossa.
O olhar dele, carregado de fúria, desviou de Heloísa e pousou em Luan, que tentava se esconder atrás dela. "Venha aqui agora."
Por dentro, Luan estava em prantos.
Eu sabia!!
Eu sabia que ia dar nisso!!
Ele não teve coragem de ir, e, por trás de Heloísa, tentou se explicar para Helder: "...Eu tentei convencer, de verdade, mas não consegui!"
"Vem cá, quero só conversar, não vou te bater."
"..."
Só acredita nisso quem é trouxa!
Luan olhou para Heloísa, pedindo socorro: Vocês insistiram em vir, mas quem vai sofrer sou eu, isso é justo? Que justiça tem nisso? Não quero nem saber, vai lá você acalmá-lo!
Heloísa lançou um olhar tranquilizador para Luan.
Ela deu um passo à frente, parando diante de Nélio. "A culpa não é do Helder nem do Luan, fui eu que insisti para eles virem. Se for preciso... pode me bater."
Ela estendeu a palma da mão.
Nélio ficou indignado, mas riu de leve.
Os dois se encararam por um instante e, por fim, ele tirou o paletó e colocou sobre os ombros dela, ainda mantendo o semblante frio. "Esqueça a surra, mas não vai ficar sem punição. Sua penitência é virar uma berinjela."
"..."
Então ele também achava que ela parecia uma berinjela.
Heloísa conteve a vontade de rir e ajeitou o paletó, que ainda guardava o calor dele, com as duas mãos. "Não pode ser outra coisa? Ficar de berinjela é feio demais."
Ela olhou ao redor, percebendo que alguns convidados os observavam. "Além disso, usar sua roupa... será que não pega mal?"
Nélio arqueou a sobrancelha friamente. "Depois de levantar a tampa da panela, ainda vai se preocupar se o caldo vai derramar?"
Heloísa ficou em silêncio.
Os outros dois ao lado também não ousaram dizer nada.
Assim que Evelyn entrou, tratou de se afastar discretamente, para também escapar da situação.
Mas isso nunca afetou o afeto entre eles.
Heloísa viu os dois se aproximando.
Agora, ao ver Evelyn, sentiu um certo... nervosismo.
"Nélio, me desculpe." Evelyn tomou a iniciativa de se desculpar. "Foi culpa minha por deixar escapar, mas assim que Heloísa soube que você corria perigo, ficou muito preocupada, insistiu em vir, ela estava realmente ansiosa com você."
Ela fez questão de dizer isso, esperando que ele ganhasse mais confiança e não ficasse desanimado com o relacionamento... Afinal, só agora, nessa idade, encontrara alguém de quem realmente gostava.
O semblante de Nélio suavizou visivelmente.
Ele abaixou os olhos para Heloísa, com um olhar terno. "É verdade?"
Verdade ou não, ela estava ali, o que já era a maior prova. Mas ele ainda queria ouvir da boca dela.
"Ah..."
Heloísa ficou sem jeito.
Antes, ela era mestre em disfarçar sentimentos, mentir era fácil para ela, mas, desta vez, como era sincero, ficou travada.
Demorou alguns segundos e respondeu: "Todos nós ficamos ansiosos."
Em seguida, olhou para Helder.
Helder apressou-se a dizer: "É isso mesmo, não foi só a Irmã Heloísa, eu e Luan também ficamos muito preocupados com o grande senhor."
E olhou para Luan.
Luan não teve escolha: "Eu... fiquei nervoso."

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