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Amor Que Aconteceu Por Acaso romance Capítulo 370

O sangue de Heloísa Madeira gelou.

Foi como se uma onda de frio tivesse surgido do nada, dissipando toda a doçura e ternura que ainda pairavam no ar.

Seu olhar permaneceu calmo enquanto encarava Vânia Gomes à sua frente, cuja postura era fria e altiva. O frio lentamente invadiu seu coração, arrancando-lhe um suspiro… Não poderia haver mais uma noite sequer de devaneios e ilusões.

Ela queria ver o gatinho.

Queria sonhar novamente com um romance arrebatador.

Não era gananciosa a ponto de exigir demais.

Mas, claramente, a paciência da esposa do presidente chegara ao limite.

"Vocês…"

Vânia fixou o olhar nas mãos dadas dos dois, lutando para manter a expressão serena enquanto a tristeza ameaçava transbordar, como se fosse chorar a qualquer momento.

Heloísa retirou a mão.

No mesmo instante, a mão foi segurada firmemente por outra, grande e quente.

Ela olhou para ele: … Para que isso?

Apesar do pensamento, apertou a mão dele de volta, sentindo uma pontada de amargura.

"Como você subiu aqui?"

Nélio Marques lançou um olhar gélido à visitante indesejada sentada no sofá, espalhando uma atmosfera opressora.

Do lado de fora da varanda, Kelton Santos aproximou-se nervoso.

Ele segurava o celular, onde uma mensagem ainda estava por ser editada.

"Senhor, o senhor voltou, e a Heloísa também." Tentou suavizar o clima, mas vendo que o senhor não mudava a expressão, suspirou resignado. "A dona acabou de sair. Ela disse que, como aqui é perto da empresa, pediu para a senhorita Vânia… ficar conosco."

A patroa o mandou descer, e ele nem sabia do que se tratava.

Mal desceu, Vânia saiu do carro com uma mala, e ele logo percebeu que algo estava errado.

Ai, dona, está claro que a senhora não quer deixar o senhor ficar com a Heloísa…

Nélio não repreendeu o Tio Santos.

Seus olhos frios permaneceram fixos em Vânia. "Sua madrinha não lhe disse que eu já tenho namorada e que não seria conveniente recebê-la?"

Os olhos de Vânia se encheram de lágrimas.

A palavra "namorada" perfurou seu coração como uma lâmina.

Nélio elevou a voz: "Tio Santos, leve minhas coisas para baixo. Heloísa quer que eu fique na casa dela."

Heloísa: "…!"

Vânia, que já se sentia desconfortável, ficou ainda mais rígida.

Nélio apertou carinhosamente o rosto surpreso de Heloísa, com um sorriso um tanto malicioso. "Eu entendo o que Heloísa quer. Farei como deseja."

Heloísa: … Você está obrigando sua mãe a me odiar!

"Então vou arrumar as coisas do senhor agora mesmo."

Kelton entrou apressado.

Nélio ignorou Vânia, que permanecia paralisada no sofá, e puxou a atônita Heloísa para fora: "Vamos ver o gatinho."

Depois de alguns passos, uma bola de pelos correu pelo corredor.

Em poucos dias, já estava mais gordinho, as patinhas curtas pareciam ainda menores, e ele pulava como um coelhinho, irresistivelmente fofo.

O gatinho chegou aos pés deles, olhando para cima e miando baixinho.

Heloísa ainda não havia se recuperado do "choque" com a sugestão de que Nélio fosse morar na casa dela.

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