O sangue de Heloísa Madeira gelou.
Foi como se uma onda de frio tivesse surgido do nada, dissipando toda a doçura e ternura que ainda pairavam no ar.
Seu olhar permaneceu calmo enquanto encarava Vânia Gomes à sua frente, cuja postura era fria e altiva. O frio lentamente invadiu seu coração, arrancando-lhe um suspiro… Não poderia haver mais uma noite sequer de devaneios e ilusões.
Ela queria ver o gatinho.
Queria sonhar novamente com um romance arrebatador.
Não era gananciosa a ponto de exigir demais.
Mas, claramente, a paciência da esposa do presidente chegara ao limite.
"Vocês…"
Vânia fixou o olhar nas mãos dadas dos dois, lutando para manter a expressão serena enquanto a tristeza ameaçava transbordar, como se fosse chorar a qualquer momento.
Heloísa retirou a mão.
No mesmo instante, a mão foi segurada firmemente por outra, grande e quente.
Ela olhou para ele: … Para que isso?
Apesar do pensamento, apertou a mão dele de volta, sentindo uma pontada de amargura.
"Como você subiu aqui?"
Nélio Marques lançou um olhar gélido à visitante indesejada sentada no sofá, espalhando uma atmosfera opressora.
Do lado de fora da varanda, Kelton Santos aproximou-se nervoso.
Ele segurava o celular, onde uma mensagem ainda estava por ser editada.
"Senhor, o senhor voltou, e a Heloísa também." Tentou suavizar o clima, mas vendo que o senhor não mudava a expressão, suspirou resignado. "A dona acabou de sair. Ela disse que, como aqui é perto da empresa, pediu para a senhorita Vânia… ficar conosco."
A patroa o mandou descer, e ele nem sabia do que se tratava.
Mal desceu, Vânia saiu do carro com uma mala, e ele logo percebeu que algo estava errado.
Ai, dona, está claro que a senhora não quer deixar o senhor ficar com a Heloísa…
Nélio não repreendeu o Tio Santos.
Seus olhos frios permaneceram fixos em Vânia. "Sua madrinha não lhe disse que eu já tenho namorada e que não seria conveniente recebê-la?"
Os olhos de Vânia se encheram de lágrimas.
A palavra "namorada" perfurou seu coração como uma lâmina.
Nélio elevou a voz: "Tio Santos, leve minhas coisas para baixo. Heloísa quer que eu fique na casa dela."
Heloísa: "…!"
Vânia, que já se sentia desconfortável, ficou ainda mais rígida.
Nélio apertou carinhosamente o rosto surpreso de Heloísa, com um sorriso um tanto malicioso. "Eu entendo o que Heloísa quer. Farei como deseja."
Heloísa: … Você está obrigando sua mãe a me odiar!
"Então vou arrumar as coisas do senhor agora mesmo."
Kelton entrou apressado.
Nélio ignorou Vânia, que permanecia paralisada no sofá, e puxou a atônita Heloísa para fora: "Vamos ver o gatinho."
Depois de alguns passos, uma bola de pelos correu pelo corredor.
Em poucos dias, já estava mais gordinho, as patinhas curtas pareciam ainda menores, e ele pulava como um coelhinho, irresistivelmente fofo.
O gatinho chegou aos pés deles, olhando para cima e miando baixinho.
Heloísa ainda não havia se recuperado do "choque" com a sugestão de que Nélio fosse morar na casa dela.

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