Foi comprar remédio?
Ela pagou a conta, saiu e, ao entrar no carro, perguntou com preocupação:
"Você está sentindo algum mal-estar?"
O semblante de Nélio continuava melancólico.
Isso quase fez Heloísa querer reclamar: Você se acha o Tony Ramos agora? Já deu, né!
"Eu já te disse, não estou feliz."
Heloísa sorriu, sem responder.
Ela fez uma pausa, depois, com uma expressão doce e voz suave, disse:
"Comprei castanha-de-caju pra você, também comprei noz-pecã e macadâmia."
Nélio curvou os lábios, o sorriso era sutil:
"Isso só resolve o sintoma, não a causa. Não adianta."
Heloísa: "……"
Então o que você queria era um ‘remédio da alegria’?
Ela não comentou mais nada e dirigiu até o endereço que ele havia indicado.
Era uma casa de luxo.
Ao redor, muros brancos muito altos, que impediam qualquer visão do interior.
Ao chegar, a câmera na entrada fez o reconhecimento automático, e o portão de ferro preto se abriu.
Quando o carro entrou, um jardim impecável cercava uma casa com estrutura de ferro e vidro. Não era muito alta, mas o design era peculiar, parecia uma estufa de vidro luxuosa.
Ele ter várias propriedades era normal.
Mas aquele lugar realmente não parecia combinar com o estilo dele.
Ela estacionou o carro.
Os dois desceram.
Ela o acompanhou até a grande estufa de vidro.
Assim que entraram, ele acendeu a luz. O lugar era bonito de um jeito quase inacreditável, com o vidro refletindo a luz de maneira deslumbrante.
Heloísa deu uma volta com o olhar.
Nélio já havia se sentado.
Vendo que ele continuava cabisbaixo, ela se aproximou para explicar com sinceridade:
"O que aconteceu hoje, eu juro que não sabia de nada."
"Secretária Madeira era uma filha obediente para os pais?"
Nélio recostou-se na cadeira, perguntando de forma aparentemente casual.
Mas a pergunta a deixou sem palavras por um instante.
"Encontrar o quê? Não vou mais encontrar! Aquilo foi só conversa para despistar, se eu vir ele a cem metros, eu… sumo."
Está bom assim? Satisfeito?
Finalmente, o rosto de Nélio pareceu se iluminar.
Ele a puxou, sentando-a no colo:
"Sumir assim não dá, ficar toda suja não combina com você. Podemos ir de helicóptero."
Heloísa sentiu um alívio no peito.
Conseguiu acalmá-lo, afinal.
"Tudo bem, tudo bem, vamos do jeito que você quiser," ela avistou o saquinho branco sobre a mesinha de centro e pensou, Será que ficou tão nervoso que até teve dor de estômago?
"Tem água? Vou pegar um copo pra você tomar o remédio."
Enquanto falava, tentou sair do colo dele.
Nélio a segurou pela cintura, impedindo-a de se levantar:
"Não precisa, eu engulo sem água mesmo."
Heloísa não entendeu de imediato.
Ele acariciou o rosto dela, aproximou os lábios, o hálito quente:
"Heloísa é o meu remédio."

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