Heloísa esforçava-se para manter a naturalidade.
Mas as lembranças invadiam sua mente de surpresa... Seus olhos se perdiam, suas bochechas ficavam ruborizadas, como se estivesse em uma montanha-russa emocional.
Que cabeça de vento, onde fui parar com meus pensamentos?!
"Em, em todo caso, é melhor não beber."
Sua língua enrolava-se nas palavras.
Nélio optou por não desmascará-la, obediente, colocou o copo de lado, "Está bem, não bebo, não bebo, faço como você diz."
Aquela doce afirmação de que ele faria como ela queria era como um anzol elétrico... tocando suavemente seu coração.
Heloísa teve um momento de distração.
Seu rosto corou como se estivesse coberto de rouge.
Nélio percebeu sua estranheza, "Secretária Madeira, você não bebeu, mas parece que está embriagada? Está com o rosto tão vermelho, será que está com febre?"
Ele encostou as costas da mão na testa e nas bochechas dela para sentir a temperatura.
Ao se aproximar, ela foi envolvida por sua aura masculina e sedutora.
Heloísa permaneceu imóvel.
Seus olhos delicados fixavam-se nos lábios, no pomo de adão, na clavícula dele.
Ela se considerava uma mulher de grande força de vontade, íntegra, que não se deixava levar por fantasias ou encantamentos, moralmente correta... mas ele realmente não deveria provocá-la mais!! Ela estava a ponto de perder sua retidão!!
"Estou bem!"
Ela recuou rapidamente, afastando aquela sensação formigante.
Ela passou a mão pela testa, exausta... Sim, com certeza, estava há muito tempo sem um homem.
Ela murmurou um mantra tranquilizante em sua mente.
"Secretária Madeira, você tem certeza de que está bem?"
Nélio aproximou-se por trás.
Heloísa, em alerta, afastou-se um pouco, "Estou bem, estou bem, apenas... um pouco atordoada."
Mudando de assunto prontamente, ela disse: "Presidente, você não disse que, se perdesse, me contaria para onde a avó da Karine foi? Pode me contar agora."
"Vamos discutir isso sentados."
Nélio dirigiu-se ao sofá e sentou-se.
Heloísa não o seguiu, preferindo sentar-se em uma banqueta ao lado do armário de bebidas.
Nélio olhou para a distância entre eles, "...secretária Madeira, seria melhor se sentasse na porta do banheiro para conversarmos, não se esqueça de trazer um megafone."
Heloísa: "…"
Ela se levantou e foi até lá, sentando-se na extremidade do sofá.
Agora, ela não apenas temia a ele, mas também a si mesma.
Uma pessoa já fragilizada mentalmente, perdendo familiares consecutivamente.
Ela achou que a alegria de Karine ao tratar de seu rosto era genuína, mas agora percebe que era apenas uma fachada de alguém em desespero.
Talvez desde o momento em que aparecemos, Karine percebeu que sua chance de vingança havia chegado.
Ao ver as pistas que oferecemos, ela deduziu onde Clarice estava se referindo, na época ela não sabia que Clarice também viria, então usou-os como isca, sem saber que Clarice já estava a caminho.
Clarice era cruel e arrogante.
Ela nunca levou Karine a sério, nem suas palavras, caso contrário, não teria sido tão descuidada.
"Agradeço ao presidente por esclarecer minhas dúvidas."
"Não precisa agradecer, eu também só soube disso por acaso durante o jantar, quando um amigo da vila mencionou. Pensei que você poderia se interessar em saber, então fiz algumas perguntas a mais," Nélio comentou de maneira casual.
"Como você acabou indo para aquela vila hoje?" Heloísa perguntou cautelosamente, embora já tivesse uma suspeita em mente.
Nélio respondeu com a mesma despreocupação, "Depois de fechar um negócio, aquele amigo me levou para comer comida caseira na casa de um outro amigo dele. Por coincidência, encontramos vocês e acabei sabendo de algumas coisas."
Ele fez uma breve pausa antes de continuar, "Você sabia que o garoto que vocês estão procurando e a Karine eram amigos de infância?"
"... Eles são do mesmo vilarejo?"
"Sim, e também passaram juntos no colégio de destaque da cidade. Curiosamente, quem nos recebeu hoje é tio do garoto."
"...!"
Heloísa ficou um pouco surpresa.

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