"Sim, sou eu."
Karine assentiu com a cabeça.
"Sou prima do Francisco," Thalita falou em um tom mais baixo.
Ao ouvir isso, o rosto de Karine mudou de repente.
Seus olhos tremiam e giravam, e seu corpo já frágil tremia como se estivesse prestes a desmoronar.
O pânico, o medo e a tristeza quase destruíram sua sanidade.
"Por... por que veio me procurar..."
"Eu já disse tudo à polícia... Eu realmente... não sei de nada... não vi nada... por favor, não me perguntem mais... por favor, não perguntem..."
Ela abraçou seu corpo e agachou-se.
Enterrou a cabeça entre os joelhos.
O que disse a seguir era quase inaudível, apenas murmúrios para si mesma.
Heloísa balançou a cabeça para Thalita.
Melhor não perguntar mais por enquanto.
Apenas mencionar o nome do rapaz já havia feito a garota entrar em colapso emocional, e naquele estado mental, uma pergunta a mais seria insuportável.
"Karine, não fique nervosa, viemos apenas para ver como você está." Thalita se agachou, sua voz era suave e tranquilizadora, enquanto suas mãos acariciavam gentilmente as costas trêmulas de Karine.
Tão magra.
Só ossos.
Aos poucos, Karine começou a se acalmar.
"Podemos entrar e sentar um pouco?" Thalita perguntou em voz baixa.
Karine assentiu.
Ela tentou se levantar, mas não tinha forças. Thalita a ajudou e juntas entraram na casa.
Heloísa as seguiu.
Helder e Felipe entraram também, fechando a porta atrás deles.
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Dentro da casa.
Thalita ajudou Karine a sentar-se no sofá da sala.
Heloísa sentou-se e olhou ao redor.
Desde que entrou, sentiu um cheiro estranho, algo como carne estragada, possivelmente devido às janelas fechadas e à falta de ventilação por muito tempo.
"Foi morar na casa do meu tio," Karine disse desanimada, abaixando a cabeça novamente.
"......"
Heloísa e Thalita suspiraram aliviadas.
Que susto.Foi culpa daquele cheiro estranho.
Ainda não sabiam o que era, e não podiam imaginar como Karine suportava aquilo.
Karine se levantou, foi à cozinha e trouxe algumas garrafas de refrigerante para todos, depois voltou a se sentar no sofá. "Obrigada por terem vindo me ver."
Heloísa e Thalita aceitaram os refrigerantes.
Primeiro, perguntaram sobre como estava sua vida e ofereceram palavras de encorajamento. Heloísa mencionou que a cicatriz no rosto de Karine poderia ser melhorada com cirurgia e que ela poderia cobrir os custos.
Karine ficou muito feliz ao ouvir isso, seu humor iluminou-se por um bom tempo.
Como a irmã generosa que se dispôs a ajudar com a cirurgia, era natural que Heloísa se interessasse em saber como Karine havia adquirido a cicatriz, e a conversa naturalmente seguiu nessa direção.
No começo, Karine estava um pouco relutante, mas sob a orientação gentil de Heloísa e com a promessa da "benfeitora", ela finalmente cedeu.
"Foi uma colega minha do ensino médio."
Karine olhou para Thalita, suas mãos firmemente entrelaçadas, e disse: "Sei que vocês vieram para perguntar sobre Francisco. Eu... posso contar, mas vocês não podem dizer que fui eu quem falou, caso contrário, eu também serei..."

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