Onze e meia.
Heloísa abriu o colírio e pingou duas gotas.
Assim que pingou, subitamente ouviu uma voz vinda da direção do escritório, "A secretária Madeira."
Ela teve um sobressalto.
Quando olhou para ele, o colírio escorreu dos seus olhos.
Nélio levantou o olhar no momento em que entregava um documento, e viu o líquido em seu rosto. Os seus olhos ficram choroso como se estivesse prestes a chorar. Ele suspirou, e sentiu-se comovido, "Não precisa chorar só porque não quer fazer hora extra."
Heloísa: "..."
Quem está chorando é você!
"Eu estava pingando colírio!"
Nélio entendeu e murmurou um "sim", e entregou-lhe o documento, "Leve para verificar."
Heloísa levantou-se para pegar.
Ao pegar o documento de sua mão, ouviu-o chamá-la novamente, mas desta vez ele não disse secretária Madeira, e foi...
"Heloísa."
"O que?"
Heloísa respondeu instintivamente. Ao perceber como ele a chamou, olhou para ele com surpresa.
Nélio apoiou o cotovelo na cadeira, ergueu a cabeça levemente, os seus olhos ficaram profundos como o mar, chamou seu nome e ficou em silêncio por um tempo longo antes de dizer, "Ontem à noite eu perdi o controle, e peço desculpas se te assustei. Espero que não leve a sério."
Heloísa apertou o documento em suas mãos.
Seu coração estava confuso, sem saber como reagir ou o que responder.
Depois de um tempo, ela fingiu naturalidade ao responder, "Eu aceito sua desculpa."
Nélio deu um sorriso descontraído: "Não te causei pressão, certo?"
Heloísa franziu os lábios num sorriso em troca: "Está tudo bem."
Nélio: "Não se preocupe. Não vou te colocar numa situação difícil novamente. Não sou um bandido, e não vou te forçar a fazer algo que você não quer. Se houve algo que te causou desconforto, peço desculpas novamente. Podemos fingir que não aconteceu?"
Heloísa assentiu várias vezes: "Sim, pode ser. Está bem, tudo bem."
Ela voltou apressadamente com o documento para o sofá.
Procurou a caixa de remédios, e queria tomar um comprimido para digestão, mas não encontrou mais uma vez.
A frustração aumentou.
Depois de pensar um pouco, simplesmente decidiu trocar de roupa e sair para comprar remédio. Ela não acreditava que não conseguiria resolver isso.
Dirigiu pelas redondezas.
À uma da manhã, nenhuma farmácia estava aberta.
Heloísa parou o carro na beira da estrada. Agora não estava mais frustrada. Em vez disso, uma camada espessa de decepção cobriu seu coração.
Ela se debruçou no volante, e olhou para a noite silenciosa do lado de fora. Sob a luz do poste, um grupo de pequenos insetos pretos voava em volta da luz. Uma mariposa, que não sabia o perigo, batia contra a lâmpada... Que tolice! Não sabia que aquela luz era uma chama mortal?
"Tão tolos..."
Ela olhou para a luz com olhos semicerrados, e murmurou baixinho.
Na esquina da rua atrás dela, um carro prateado estava estacionado.
Dentro do carro, Nélio olhava para fora com a testa franzida.
Helder bocejou, "O senhor, até quando vamos segui-la? Por que não vai diretamente até ela?"

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