"……!!!"
Heloísa ficou tão chocada que o ar entrou pela traqueia de forma abrupta, e faz-a tossir intensamente.
Por que ele tocou nesse assunto novamente?
Nélio serviu um copo d'água e o entregou a ela.
Heloísa aceitou e bebeu mais da metade antes de se recuperar. "Esse assunto... Poderiamos fingir que nunca aconteceu."
"Preciso assumir a responsabilidade pelos meus atos."
"...?"
Heloísa finalmente entendeu, e imediatamente começou a acenar as mãos com um misto de medo e surpresa. "Não precisa, não precisa, não precisa."
Ela repetiu três vezes, e a sau expressão era como se tivesse visto um fantasma.
Os olhos de Nélio escureceram, como estrelas cadentes. Depois de um longo tempo longo, soltou uma risada suave. "Você sempre diz que é corajosa, mas também parece que não consegue aguentar um susto."
Heloísa permaneceu em silêncio, segurando o copo.
A atmosfera ficou um pouco tensa.
Ela olhou para baixo de forma não natural, e fixou-se no copo. O cristal era tão claro e belo, mas ela sabia bem como era frágil e ilusório...
Nélio levantou-se e saiu.
Heloísa soltou um suspiro, e colocou o copo de lado.
Talvez fosse o campo magnético das montanhas que estivesse errado, ou talvez fosse o beijo incontrolável da noite passada que causou uma ilusão temporária nele sob o efeito das drogas. Ao voltar, tudo ficaria bem.
Era isso mesmo. Ao voltar, ele voltaria ao normal.
………
Quando ela saiu, Erasmo já estava lá.
Ele estava relatando para Nélio, "O Senhor Rocha saiu antes do amanhecer. Ele disse que tinha comido algo estragado e teve uma gastroenterite aguda. Os amigos dele foram embora com ele."
Nélio cenou com a cabeça e não disse mais nada.
Heloísa pensou: Esse velho sabe quando escapar. Parece que Kátia já passou a mensagem para ele.
Com Gerson saindo por motivo de doença, a cerimônia de inspeção, que ele participaria junto com Nélio, acabou ficando apenas com Nélio.
Das dez da manhã até as quatro da tarde, Nélio participou da cerimônia de inspeção e do almoço. Ademais, foi acompanhado de um grupo de pessoas para visitar o resort.
A viagem foi extremamente silenciosa.
Era o tipo de silêncio que antecede a tempestade ou talvez o fim do mundo. A pressão era tão intensa que simplesmente era sufocante.
Heloísa não cochilou, e mantinha-se sentada corretamente todo o tempo.
O motorista não suportou e estava ansioso para abrir a janela e deixar o ar entrar.
O carro saiu das montanhas, e o céu começou a escurecer, com as luzes da cidade aparecendo ao longe.
Nélio atendeu uma ligação. Depois de desligar, disse ao motorista: "Não vamos para o aeroporto agora."
Ele deu o endereço de um clube privado ao motorista.
Heloísa inclinou levemente a cabeça na frente.
Ela tinha ouvido a conversa do telefone. Pelo diálogo, parecia ser de um amigo muito próximo.
Mas será que ainda conseguiriam voltar para Cidade Y essa noite com essa mudança de planos?
"A Secretária Madeira, se você quiser voltar para a Cidade Y agora, pode ir primeiro."
Uma voz profunda e sem emoção veio de trás.

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