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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 99

~NICOLAS~

O final da tarde trouxe um ar mais fresco ao acampamento. Depois de um dia inteiro cercado por reuniões, atividades e discussões operacionais, decidi dar uma volta sozinho, buscando um pouco de silêncio para organizar meus próprios pensamentos.

Eu não costumava me sentir assim. Desorientado. Inquieto. Desde que Ayla apareceu na minha vida, uma sensação incômoda vinha crescendo dentro de mim, como se eu estivesse esquecendo algo importante. Algo que deveria estar ali, na minha mente, mas simplesmente escapava sempre que eu tentava focar.

Segui pela trilha que levava ao lago. O reflexo do céu tingia a água de tons dourados e alaranjados, criando uma cena que parecia saída de um quadro. Então, meus olhos encontraram algo – ou melhor, alguém – e todo o resto desapareceu.

Ayla estava lá.

Sozinha, de pé sobre a grama macia, os pés descalços afundando levemente no solo. O vento fazia seus cabelos dançarem, e ela se movia com uma graça impossível de ignorar. Cada gesto era fluido, natural, como se estivesse completamente entregue ao momento.

Ela dançava.

Havia algo de hipnotizante naquilo. Não era uma dança ensaiada, não parecia uma performance. Era puro instinto, como se ela estivesse ouvindo uma melodia que ninguém mais conseguia captar.

Sem pensar, levei a mão à alça da minha mochila e puxei minha câmera. Um impulso inexplicável tomou conta de mim, e antes que eu pudesse questionar, já havia ajustado o foco e apertado o obturador.

Assim que a imagem apareceu na tela, meu coração parou.

A foto era idêntica.

Idêntica.

Minha respiração ficou presa na garganta enquanto eu encarava a tela, incapaz de processar o que estava vendo.

Eu já tinha essa foto.

Na minha parede, na minha casa, havia um quadro com exatamente essa mesma imagem. A mesma luz, as mesmas sombras, o mesmo ângulo, os mesmos cabelos sendo arrastados pelo vento. Cada detalhe estava ali, como se alguém tivesse simplesmente replicado a cena e me jogado de volta para ela.

Isso não fazia sentido.

Aquela foto sempre esteve comigo, e até onde eu sabia, eu nunca havia encontrado Ayla antes do dia em que quase a atropelei na frente da minha casa. Mas então, como diabos essa cena estava se repetindo exatamente da mesma forma?

A necessidade de respostas me impulsionou para frente. Antes que ela pudesse perceber minha aproximação, já estava parado a poucos metros dela.

— Ayla.

Ela parou imediatamente, girando na minha direção. O brilho do sol criava um contorno dourado ao redor de seus cabelos, e por um instante, tudo nela pareceu irreal.

— Nicolas? — Sua voz carregava um tom surpreso.

Eu levantei a câmera, ainda com a imagem na tela.

— Isso já aconteceu antes?

Ela piscou algumas vezes, sem entender.

— O quê?

— Essa cena. Você dançando aqui, assim. — Passei a mão pelos cabelos, tentando organizar meus próprios pensamentos. — Eu tenho essa mesma foto. Em casa. Exatamente essa. Não há uma única diferença.

Ayla não pareceu surpresa. Não como deveria estar. Pelo contrário, um leve sorriso puxou os cantos de seus lábios, como se estivesse esperando por essa pergunta.

E foi nesse instante que me lembrei.

A primeira vez que ela esteve na minha casa, Ayla viu aquela foto na minha parede. E me perguntou sobre ela.

Havia algo na maneira como ela me olhava, na forma como sorria de canto, sempre carregando um mistério que eu não conseguia decifrar. Era familiar. Confortável e, ao mesmo tempo, perturbador. Como um déjà vu incessante, uma sensação incômoda de que eu estava revivendo algo que já havia acontecido antes.

E se eu já a conhecia? Se, de alguma forma, Ayla sempre esteve ali, à margem da minha história, esperando que eu finalmente me lembrasse?

A ideia me atingiu como um soco no estômago. Porque se fosse verdade, por que eu teria esquecido?

Ayla abriu a boca, prestes a dizer algo, mas, antes que qualquer palavra fosse dita, uma voz ecoou ao longe, interrompendo o momento.

— Nico!

Fechei os olhos, frustrado.

Enrico vinha em minha direção, o rosto sério.

— Precisamos de você na administração. Parece que houve um problema com a organização dos grupos para amanhã.

Passei a língua pelos lábios, relutante em sair naquele momento. Mas não havia escolha.

Voltei meu olhar para Ayla e dei um passo à frente.

— Isso não acabou. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava. — Nós ainda precisamos terminar essa conversa.

Ela apenas sorriu de maneira enigmática, e eu me afastei, mesmo com cada parte do meu corpo me dizendo para ficar.

Enquanto caminhava com Enrico em direção à administração, uma única certeza martelava em minha mente:

Ayla já fez parte da minha vida de alguma forma. Eu só precisava descobrir como.

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