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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 92

Depois de um longo dia de trabalho, sentei-me na sala da gerência ao lado de Teri, exausta, mas satisfeita. O estúdio estava ganhando vida, e eu finalmente estava começando a sentir que tudo estava dando certo. As turmas estavam quase completas, e eu tinha passado o dia inteiro ensinando, sentindo a adrenalina e a alegria de ver cada aluna se desenvolver.

— Acho que finalmente conseguimos — comentei, girando levemente a cadeira enquanto observava os papéis de contabilidade sobre a mesa.

— Conseguimos? — Teri riu, levantando as sobrancelhas. — Quer dizer que você finalmente aceitou que eu sou uma excelente administradora e que sem mim essa sua academia não passava do papel?

— Eu diria que você é boa o suficiente para merecer um aumento — rebati com um sorriso, e ela arqueou ainda mais as sobrancelhas.

— Esse seria um excelente argumento. Se eu não fosse sua sócia.

Rimos juntas e ficamos em silêncio por um instante, ambas concentradas na papelada. Até que, de repente, soltei um suspiro e comentei:

— Eu só não entendo como o Nicolas nunca me contou que namorou essa tal de Letícia.

Teri ergueu os olhos do caderno de contas.

— Mas vocês chegaram a ter a conversar sobre ex-namorados?

— Falamos muito sobre o Miguel, mas ele nunca mencionou ninguém.

Teri cruzou os braços e inclinou a cabeça de lado.

— Talvez ele sinta vergonha de ter confiado o suficiente em uma mulher que depois o apunhalou pelas costas. Não deve ser muito fácil admitir que sua ex-namorada foi a responsável por arruinar a empresa da família.

Mordi o lábio inferior, absorvendo aquela possibilidade.

— Pode ser...

Mas algo me incomodava.

— Tem alguma coisa errada nisso — murmurei.

Teri parou o que estava fazendo e me olhou com curiosidade.

— O quê?

— No dia do acidente... O Enrico estava bêbado porque descobriu o golpe da Letícia naquela noite. Mas eu nunca dirigi aquele carro. Nós nunca sofremos aquele acidente. Mas como isso pode mudar o fato de que ela nunca os traiu? Já era para ter acontecido. Mesmo que eu nunca tenha cruzado o caminho deles, Enrico sairia bêbado naquele dia devido ao golpe. Só não teria acontecido nada pior. Mas...

Teri deu de ombros.

— Ué, não tem um monte de coisa diferente nessa linha do tempo? Sua mãe tá viva, por exemplo. Isso não tem nada a ver com o acidente, mas aconteceu. Talvez outras coisas também só tenham mudado porque mudaram.

Refleti sobre aquilo.

Minha mãe.

Ela sobreviveu porque eu fiquei ao lado dela durante a pandemia. Isso não tinha nenhuma ligação direta com o acidente de Enrico, mas ainda assim aconteceu.

Talvez Teri estivesse certa. Alguma coisa tinha acontecido de diferente para que Letícia ainda não tivesse concluído o seu plano.

— Então você acha que Letícia não é uma golpista nessa linha do tempo? — Teri supôs.

— Eu acho que algumas pessoas simplesmente são escrotas em qualquer realidade — eu rebati.

Ela riu, concordando comigo.

— De qualquer forma, eu não vou arriscar. Vou dar um jeito de tirar aquela... — franzi o cenho, tentando encontrar um xingamento apropriado — ... aquela piranha de esgoto de perto do meu homem.

Teri riu, mas logo sua expressão ficou mais séria. Ela me observou por um instante, apoiando os cotovelos sobre a mesa.

— Você sabe que não pode simplesmente sair tentando resolver a vida de todo mundo só porque tem a chance de mudar essa realidade, não é?

Inclinei a cabeça, franzindo a testa.

— Claro que posso.

— Não, Ayla. Você pode tentar, mas se fizer isso, vai enlouquecer. Você não pode carregar o mundo nas costas. Algumas coisas precisam seguir seu próprio curso.

Fiquei em silêncio, refletindo sobre suas palavras.

— Não quero mudar a vida de todo mundo — murmurei, desviando o olhar. — Só daqueles com quem me importo.

Teri me estudou por um momento antes de assentir devagar.

— E você se importa mesmo com o Nicolas, não é?

Engoli em seco.

— Eu amo o Nicolas.

Foi a primeira vez que falei isso em voz alta desde que voltei no tempo.

E admitir aquilo só tornou tudo mais real.

Os olhos dele se encheram de fúria.

— Você não vai conseguir se livrar de mim assim tão fácil! Eu não vou aceitar esse divórcio!

— Você não precisa aceitar nada. — Eu levantei o queixo, desafiadora. — Eu tenho um documento que me permite assinar por você.

Miguel grunhiu de raiva e, sem aviso, me jogou contra a parede.

O impacto me tirou o ar.

Minha mente entrou em estado de alerta. Eu conhecia aquele olhar. Eu sabia exatamente do que Miguel era capaz.

Ele me sacudiu pelos ombros, gritando algo que eu nem consegui processar. Meu coração batia tão alto que abafava sua voz.

E então...

Um soco.

Seco. Preciso.

Miguel cambaleou para trás, os olhos arregalados, antes de desabar no chão, completamente apagado.

Minha respiração ainda estava descompassada quando ergui o olhar e vi Nicolas parado ali.

Ele balançou a mão, como se tivesse se esquecido de amortecer o golpe, e então olhou para mim com preocupação.

— Você está bem?

Meus olhos se encheram de lágrimas.

Engoli em seco.

— Não.

Ele hesitou por um momento, então estendeu a mão para mim.

— Vamos te tirar daqui.

Meu olhar foi da mão dele para seu rosto.

E então aceitei.

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