O motor do carro roncava suavemente enquanto Pedro, no banco do motorista, tamborilava os dedos no volante, lançando um olhar desconfiado para a imponente mansão à sua frente. A entrada luxuosa, com um longo caminho de pedras bem alinhadas, ladeado por jardins perfeitamente aparados, destoava completamente do veículo onde estávamos. Ele soltou um suspiro exagerado antes de se virar para mim e Teri.
— Meu carro parece um sobrevivente da guerra sendo jogado no meio de um desfile da Fórmula 1. — Pedro resmungou, analisando a frota de carros importados estacionados logo à frente.
Teri riu, apoiando o cotovelo na janela aberta.
— Se a Ayla estiver certa, logo, logo, você vai poder trocar esse ferro-velho por algo que combine melhor com seu novo status de empresário de sucesso.
Ele bufou, fingindo descrença.
— Ainda não sei como você me convenceu a largar meu emprego seguro na boate pra seguir os devaneios de uma maluca.
— Tem razão, sabe... — Teri arqueou a sobrancelha e apontou para mim. — Não sei como essa aí me convenceu a fazer o mesmo.
Ri baixinho e apoiei as mãos no painel, observando a mansão enquanto assimilava que aquele momento era mais um passo rumo ao meu plano. Então, olhei para Pedro e sorri de canto.
— Você foi convencido rapidinho quando eu falei que seu time ia ser eliminado da Libertadores na fase de grupos. — Provoquei, e ele me lançou um olhar indignado.
Eu lembrava disso porque Pedro torcia para o mesmo time que Miguel.
— Isso é golpe baixo. — Resmungou, cruzando os braços. — Mas, pelo menos, ainda é ano de Copa do Mundo. Dá tempo de reverter qualquer coisa.
Suspirei e sacudi a cabeça lentamente.
— Não devia ficar tão animado.
Ele franziu a testa.
— O Brasil perde?
Confirmei com a cabeça lentamente.
— Pior. A Argentina ganha.
O silêncio preencheu o carro por um instante antes que Pedro soltasse um grunhido frustrado.
— Tá de sacanagem comigo, né?
Deixei que ele absorvesse a informação por alguns segundos e, sem responder, soltei o cinto e saí do carro, tentando esconder meu sorriso.
Enquanto caminhava em direção à entrada da casa, minha mente foi tomada por um turbilhão de emoções. Eu sabia que estava ali para encontrar Sofia e conversar sobre a possibilidade de matricular Amélie e Mia nas minhas aulas de balé. Teri tinha arquitetado um encontro não tão casual com Sofia algumas semanas antes, criando uma conexão que tornou essa reunião possível.
Mas, no fundo, eu sabia o que aquela visita realmente significava.
Era minha porta de entrada para a vida de Nicolas novamente.
O pensamento fez meu coração acelerar. Será que eu conseguiria vê-lo? Conversar com ele? Mesmo que fosse pouco, só de estar ali, tão perto, me deixava ansiosa.
Estava tão perdida nesses devaneios que não percebi um carro saindo da garagem até ser tarde demais. O impacto não foi forte, mas o suficiente para me desequilibrar e me derrubar no chão.
— Droga! — gritei ao sentir o choque contra o chão.
O carro parou imediatamente, e antes que eu pudesse reagir, a porta do motorista se abriu. Um homem alto e de ombros largos desceu apressado, sua expressão uma mistura de preocupação e confusão.
Meu coração parou.
Nicolas.
Ele estava ali. De carne e osso. Os cabelos levemente bagunçados, a camisa branca dobrada nos antebraços, revelando os músculos definidos. Seu olhar preocupado encontrou o meu enquanto ele se ajoelhava ao meu lado.
— Você está bem? — Sua voz rouca, carregada de genuína preocupação, era como uma lâmina cortando minha alma.
Ele me estudou por mais alguns segundos, ainda parecendo desconfiado.
— Você tem certeza de que está bem? Precisa de um médico?
— Eu… estou bem. — Respondi, mas quando tentei me levantar, uma dor aguda percorreu meu tornozelo, me fazendo arfar.
Nicolas não hesitou. Com um movimento ágil, deslizou os braços ao redor do meu corpo e me ergueu no colo.
— Vou te levar para dentro. — Disse firmemente.
— N-não precisa…
— Você claramente não consegue andar. Não discuta comigo. — Ele rebateu, sério.
Minha respiração ficou presa quando meu rosto ficou próximo ao dele. O cheiro inconfundível da sua pele, a sensação do seu toque. Fechei os olhos por um breve segundo, me permitindo sentir aquilo antes que tudo escapasse outra vez.
O som de uma porta se abrindo e um salto batendo contra o asfalto me fez abrir os olhos.
— Nicolas? O que está acontecendo? — Uma voz feminina soou, carregada de impaciência.
Minha cabeça se virou e, assim que a vi, um arrepio percorreu minha espinha.
Ela era alta e esguia, com cabelos castanhos perfeitamente alinhados, olhos claros e um rosto simétrico de uma beleza impecável. Vestia um vestido justo e elegante, sandálias de salto fino e joias discretas, mas claramente caras.
— Amor, não quero me atrasar para o brunch no Milani. — Ela acrescentou, o tom de voz impaciente, mas ainda assim delicado.
Meu estômago revirou e minha voz saiu em um sussurro, quase inaudível.
— Amor?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário
Como vários livros desta plataforma nao6twm o final...
Libera todos os capítulos...