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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 71

O carro avançava pela cidade iluminada enquanto o silêncio preenchia o espaço entre nós. Camila ainda estava absorvendo a decepção, os olhos presos na paisagem em movimento, mas sem realmente enxergar nada. A frustração pesava em seu semblante como se seu próprio corpo estivesse cansado de sustentá-la.

Eu a observava pelo reflexo do retrovisor, tentando encontrar as palavras certas para dizer. Mas, no fundo, sabia que nada que eu dissesse naquele momento poderia realmente apagar a dor da rejeição. Então, eu faria o que sempre fiz: transformar a queda em impulso.

— Na próxima vez que quiser um papel, você vai conseguir. — Minha voz saiu baixa, mas carregada de certeza.

Camila desviou o olhar da janela e me encarou pelo retrovisor, cética.

— Como você pode ter tanta certeza?

Sorri de leve.

— Porque eu vou te treinar ainda mais. Vamos trabalhar mais duro, aperfeiçoar cada detalhe, e quando a oportunidade aparecer, você vai estar pronta.

Ela soltou um suspiro longo, como se estivesse tentando absorver minha promessa sem se permitir acreditar completamente.

Foi então que Nicolas entrou na conversa.

— Além disso, vocês vão ter um espaço melhor para treinar.

Virei o rosto para ele, franzindo o cenho.

— Como assim?

Ele lançou um olhar breve para mim antes de voltar a focar na estrada.

— Você vai ser a professora de Amélie e Mia, certo? E Camila será muito bem-vinda para usar o estúdio lá de casa também.

Meus olhos se arregalaram ligeiramente, surpresa com a forma natural como ele falava sobre mim assumindo esse novo papel. Ele já dava como certo que eu aceitaria, que eu traria o balé de volta para minha vida.

Eu ainda não sabia o que pensar sobre aquilo.

Mas quando olhei novamente pelo retrovisor e vi o pequeno sorriso no rosto de Camila, percebi que ela aprovava Nicolas. Não disse nada, mas o brilho nos olhos dela foi suficiente para me passar a mensagem.

O que quer que estivesse acontecendo entre mim e Nicolas, Camila parecia acreditar que ele era uma boa escolha.

Abaixei o olhar e sorri discretamente.

— Podemos conversar sobre isso depois da sua exposição.

— Depois da minha exposição? — Nicolas arqueou uma sobrancelha. — Isso é um "sim" para as aulas?

— É um "depois da exposição". — Sorri de lado, desviando o olhar pela janela.

Quando Camila finalmente desceu do carro e entrou no condomínio, Nicolas deu partida novamente. Mas, dessa vez, não disse para onde estávamos indo.

— Não vai voltar para o trabalho? — perguntei, olhando para ele de soslaio.

Ele lançou-me um olhar rápido antes de sorrir.

— Temos algo mais importante para fazer.

O que quer que fosse, ele já havia decidido.

O carro seguiu em silêncio por alguns minutos, e percebi que Nicolas estava dirigindo sem pressa. Fiquei observando as ruas ao redor, tentando decifrar nosso destino, até que ele virou uma esquina e estacionou em frente a uma loja grande, com uma vitrine repleta de barracas, mochilas e equipamentos de sobrevivência.

Levei alguns segundos para processar onde estávamos. Então, a risada escapou dos meus lábios antes que eu pudesse segurar.

— Uma loja de camping? — Cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha enquanto observava a vitrine.

Nicolas abriu a porta do carro e saiu, contornando o veículo com um sorriso contido enquanto abria a porta para mim.

— Você me convidou para acampar. — Pegou um carrinho e começou a empurrá-lo para dentro da loja. — Achei que fosse mais seguro me preparar direito.

Sacudi a cabeça, ainda rindo, enquanto o seguia para dentro.

— Isso quer dizer que aceitou o convite?

— Sim.

Acompanhei-o pelos corredores, enquanto ele pegava alguns itens essenciais. Ele parecia animado, como se estivesse se permitindo voltar a ser alguém que há muito tempo não era.

Escolhemos lanternas, sacos de dormir, um fogareiro portátil e até um kit de primeiros socorros.

— Precisa mesmo disso tudo? — perguntei, pegando um cantil de metal e analisando-o.

— Você nunca viu filmes de sobrevivência? — Ele pegou uma faca tática e colocou no carrinho.

Paulo respirou fundo, tentando manter a calma.

— Eu não tenho opção! O aluguel está um absurdo, e aquele foi o único lugar que consegui pagar.

O outro homem bufou, indignado.

— Então coloca ela em um asilo.

Paulo cerrou os punhos.

— Eu não vou abandonar minha mãe. Eu não confio nesses lugares.

Meu peito se apertou. A cena era cruel. Era injusta. O prédio que estava prestes a ser demolido não era apenas concreto e tijolos. Era o lar de pessoas que não tinham outro lugar para ir.

E Nicolas era o responsável por isso.

Abaixei a cabeça, apertando os punhos ao lado do corpo, e passei direto pela discussão, fingindo que não ouvi nada. Não queria olhar para Nicolas. Não queria pensar sobre o que ele representava naquela equação.

Ele percebeu meu silêncio.

— Ayla… — chamou enquanto subíamos as escadas.

— Não quero falar sobre isso.

Minha voz saiu mais fria do que eu esperava.

Ele hesitou, os olhos avaliando meu rosto por um momento antes de assentir.

Quando chegamos à porta do meu apartamento, paramos. Houve um breve silêncio entre nós antes de ele segurar minha mão por alguns segundos, o polegar roçando suavemente contra minha pele.

— Te busco no sábado.

Assenti levemente.

— Até sábado.

Ele hesitou, e foi então que percebi que ele estava observando meu rosto, meus olhos cheios de lágrimas. Ele abriu a boca para falar algo, mas eu desviei o olhar e entrei no apartamento, fechando a porta atrás de mim.

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