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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 67

O apartamento já não parecia mais o mesmo. As caixas empilhadas nos cantos, algumas lacradas, outras ainda esperando serem preenchidas, davam um ar de transição desconfortável. Era como se estivéssemos nos preparando para desaparecer daquele lugar que, por tanto tempo, foi o nosso lar. O cheiro de incenso, que sempre pairava no ar graças ao hábito de Teri, estava se dissipando, substituído pelo odor frio de papelão e fita adesiva.

As paredes vazias, antes cheias espelhos, quadros e pequenas marcas de nossa presença, agora pareciam estranhas. Vazias. Como se o apartamento já não nos pertencesse.

Ainda não sabíamos para onde iríamos, mas o fato era que estávamos empacotando nossa vida.

Sentei-me no chão, dobrando uma pilha de roupas com mais cuidado do que o necessário, apenas para ocupar minha mente. Teri estava do outro lado da sala, dobrando algumas de suas peças de couro e jeans, enquanto uma música baixa tocava.

O clima estava carregado. Não falávamos sobre o futuro, porque cada vez que tocávamos nesse assunto, o peso da incerteza se tornava insuportável. Então, resolvi quebrar o silêncio com algo mais leve — ou pelo menos, algo que me deixava curiosa.

— Então… — comecei, tentando soar casual. — Você e Ricardo no churrasco…

Teri bufou, rolando os olhos, mas não interrompeu o que estava fazendo.

— Foi interessante.

— Interessante? Só isso? — Arqueei uma sobrancelha, sabendo que tinha mais coisa ali.

Ela revirou os olhos antes de soltar um sorrisinho contido.

— Uhum.

Cruzei os braços, lembrando-me da provocação que ela mesma havia feito naquele dia.

— Então o burguês realmente conseguiu levar a garota de programa para a cama sem pagar?

Teri soltou uma risada curta, balançando a cabeça.

— Não foi exatamente ceder a ele. — Dobrou uma saia de couro, sem me encarar. — Eu estava com vontade. Você sabe... as vezes só dá vontade de fazer com alguém sem ser... por trabalho.

Sorri de canto, observando-a.

— Sei…

— Ayla, sério.

— Eu sei de uma coisa, Teri… — Inclinei-me um pouco para frente, estreitando os olhos. — Acho que você gosta do seu cliente. Ou ex-cliente. Sei lá.

Ela hesitou por um instante, mordendo o lábio inferior, antes de soltar um suspiro.

— Talvez… um pouquinho. — Ela mexeu no cabelo de forma distraída, sem querer demonstrar muito. — Mas eu já vivi muito para cair nessa de novo.

— O que isso significa? — Franzi a testa.

Teri parou de dobrar as roupas e me olhou diretamente nos olhos, sua expressão mais séria do que o normal.

— Significa que eu vou aproveitar enquanto dura. Mas não vou me render a promessas.

Ela dizia aquilo com convicção, mas eu percebia o traço de vulnerabilidade por trás de suas palavras. Como se, no fundo, uma parte dela quisesse acreditar que poderia ser diferente dessa vez.

— Além disso… — continuou, voltando a mexer nas roupas. — Ele me leva para lugares caros e legais… e tem me dado uns presentes que podem ser úteis agora que precisamos de dinheiro.

Soltei um suspiro longo, jogando uma blusa dentro da caixa.

— Precisamos começar a pesquisar por aluguéis baratos. Ainda tenho um pouco do dinheiro da boate para dar de calção em algum lugar.

Teri assentiu, parecendo pensativa.

— Eu também tenho trabalhado por fora. Alguns clientes antigos. Estou conseguindo juntar um pouco.

Sorri, sentindo um pequeno fio de esperança crescer no meio do caos.

— Vamos dar um jeito. Sempre damos.

Ela retribuiu meu sorriso, mas logo sua expressão mudou para algo mais sério.

— E você? Como está lidando com tudo isso? — O tom dela foi cuidadoso, mas direto.

O interesse dela ficou evidente no instante em que seus olhos brilharam com curiosidade.

— Balé? — Ela me olhou como se estivesse tentando juntar as peças.

— Ele me convidou. Achei que seria uma boa ideia.

Teri me analisou por um instante, depois cruzou os braços, inclinando a cabeça com um sorriso esperto.

— Tá querendo tocar a veia sentimental do bilionário?

Bufei, jogando uma peça de roupa dentro da caixa.

— Acho que fazê-lo se reconectar com as coisas que gostava, como a fotografia, e com as pessoas que ele ama, como Amélie, é o caminho que preciso seguir. Provar que existe algo além do trabalho ou das responsabilidades.

Ela balançou a cabeça devagar, pensativa.

— Parece que você também está se reconectando com algo que gosta.

— Como assim? — Franzi a testa.

— Balé, Ayla. Você tem falado tanto sobre isso ultimamente… Talvez devesse aceitar a proposta de Nicolas para ser professora particular de Amélie.

Fiquei em silêncio por um momento, desviando o olhar.

— Não quero pensar nisso agora.

— Por quê?

— Porque, por enquanto, eu tenho outro foco.

O sorriso de Teri diminuiu, mas ela assentiu, respeitando minha escolha.

O silêncio entre nós se alongou, apenas a música baixa preenchendo o espaço enquanto voltávamos a empacotar nossas coisas. Mas, no fundo da minha mente, a ideia de voltar ao balé ficou pairando como um fantasma que eu não queria encarar.

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