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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 65

E foi quando uma voz cortante rasgou o ar entre nós como uma lâmina afiada.

— Eu não sabia que, além de dançar naquele lugar, você também fazia apresentações gratuitas por aqui. Ou não são exatamente gratuitas?

O encanto se quebrou instantaneamente.

Fechei os olhos por um segundo, sentindo a frustração me atingir como um balde de água fria. Nicolas se afastou levemente, sua expressão fechando-se no mesmo instante.

Dona Marta.

Aquela mulher tinha um talento especial para aparecer nos piores momentos.

Ele inclinou-se para sussurrar:

— Como você suporta isso?

— No fundo, ela é uma boa pessoa.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Tem certeza?

Assenti.

— O marido dela a traiu quando ainda estava grávida, foi embora com outra, uma mulher bem mais jovem. Desde então, ela tem um desprezo por mulheres como eu e Teri, como se fossemos culpadas por algo que nunca fizemos. Mas, no fundo, Marta não é tão cruel quanto gosta de aparentar.

Nicolas arqueou uma sobrancelha, claramente cético.

— E o que te faz dizer isso?

Sorri, olhando de relance para a mulher que, naquele momento, estava no canto da laje, reclamando do ponto da carne enquanto ajudava a organizar as travessas.

— Logo quando eu vim pra cá, eu estava tão na sarjeta que não tinha dinheiro nem para comer, e tinha vergonha de contar isso até para a Teri. Dona Marta me dava marmitas todos os dias. Mas fingia que era um favor para ela mesma. Dizia que estava testando novas receitas porque ia começar a vender marmitas caseiras e precisava de alguém para experimentar e dar opinião.

Um sorriso curto surgiu nos lábios de Nicolas.

— E ela nunca chegou a vender essas marmitas?

Balancei a cabeça, rindo baixinho.

— Nunca. O "negócio" dela durou exatos três meses, até que eu consegui me reerguer um pouco. Depois disso, nunca mais falou no assunto.

Nicolas observou Marta por um instante, refletindo.

— Isso é… impressionante.

— Ela tenta esconder que tem um bom coração. Mas a verdade é que se importa mais do que deixa transparecer. — Cruzei os braços, pensativa. — Ela adora crianças, por exemplo. Sempre fica com os filhos da Vanessa quando ela precisa sair.

Cada um carregava cicatrizes, passados turbulentos, momentos de luta e superação. Nem todas as histórias eram felizes — na verdade, a maioria não era. Mas, de alguma forma, dentro daquele pequeno universo caótico, encontramos um refúgio. Um lugar onde podíamos ser imperfeitos sem medo de sermos descartados. Onde, apesar das diferenças, havia um senso de pertencimento que talvez nunca mais encontrássemos em outro lugar.

Engoli em seco e olhei para Nicolas.

— Me desculpe.

Antes que ele pudesse responder, afastei-me, caminhando em direção à escada, sentindo o peso do que estava prestes a perder.

E, de certa forma, aquilo era culpa de Nicolas.

Ele estava comprando o prédio, transformando tudo em um novo empreendimento, e pouco se importava com o que aconteceria com as pessoas que viviam ali. Para ele, eram apenas números, contratos, transações frias que ampliavam ainda mais seu império. Eu deveria saber disso. Homens como Nicolas não enriqueciam por terem um bom coração.

E, ainda assim, algo dentro de mim queria acreditar que talvez ele pudesse ser diferente.

Eu o trouxe aqui por um motivo. No fundo, uma parte irracional da minha mente esperava que o ver cercado por essas pessoas, ouvindo suas histórias, conhecendo as vidas que seriam afetadas por sua decisão, o fizesse reconsiderar. Quem sabe ele permitisse que ficássemos como inquilinos depois que o novo condomínio estivesse pronto, mesmo que o preço possivelmente fosse muito maior do que poderíamos pagar.

Mas eu estava me iludindo.

Nicolas Sartori era um bilionário bem-sucedido no mundo dos negócios. E no mundo dele, não havia espaço para sentimentalismos.

Eu me sentei na recepção do prédio, olhando para o nada, tentando organizar meus pensamentos, mas tudo parecia um turbilhão desordenado dentro de mim. As vozes no terraço pareciam distantes, abafadas pelo peso das preocupações que se acumulavam na minha mente. Eu queria encontrar uma solução, queria entender o que sentia, mas, a cada nova tentativa, era como se um emaranhado de emoções me puxasse para direções opostas, tornando impossível enxergar qualquer saída.

— Nós já não conversamos sobre você ficar fugindo de mim? — A voz rouca e extremamente sexy interrompeu meus pensamentos.

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