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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Mentir para um estranho é fácil. Mentir para quem nos conhece pelo olhar é um tipo de tortura. E eu estava totalmente desconfortável mentindo para o meu Gracinha, mas era para o bem dele, para proteger o seu coração, Mas ele me conhecia tão bem que eu começava a duvidar que fosse conseguir manter esse segredo por uma semana. O Anderson estreitou os olhos para mim e me puxou para ele.

- Enjoo, Gi? Você está pálida mesmo. - Ele tocou a minha testa com as costas da mão. - Por que vocês não me chamaram? Ou me li*aram?

- Porque você estava fazendo uma prova, meu lindo. E o Rui podia me ajudar. Ele me levou até a farmácia aqui perto pra comprar um remédio e nós nos sentamos na pracinha em frente e ficamos lá um pouco, até o remédio fazer efeito e eu me sentir melhor. Eu não queria te atrapalhar, não tinha necessidade.

O Anderson olhou para o Rui, que ainda parecia uma estátua de sal ao meu lado.

- É... isso mesmo, cara. - O Rui gaguejou um pouco, mas logo se recuperou ao ver meu olhar prometendo dar uma surra nele. - A Ferinha não estava bem, Anderson. Pra falar a verdade eu ainda estou preocupado, mas ela não quis ir ao hospital.

- Gi, isso está estranho. - O Anderson me aconchegou no seu peito e beijou a minha testa. - Você não costuma sentir enjôos. Será que aquele teste de gravidez falhou?

- Gracinha, fica calmo, não tem nada a ver com isso. Eu acho que eu estou sentindo a pressão do fim do semestre e talvez eu esteja ficando nervosa com a proximidade do juri simulado.

- Giovana Maria, você dominou um auditório inteiro com uma argumentação montada de última hora. Se preocupar com um trabalho para o qual você está se preparando há semanas é absurdo. - O Anderson riu.

- Justamente! Eu estou me preparando e tem que ser perfeito. Eu estou nervosa. - Eu aproveitei o gancho.

- Vai dar tudo certo, minha Ferinha linda. - Ele se afastou um pouco para olhar nos meus olhos. - Mas eu acho melhor você ir ao médico, fazer uns exames...

- Ai, Anderson! - Eu revirei os olhos. - Você não vai esquecer isso, não é?

- Não! - Ele respondeu.

- Eu vou marcar o médico. - Eu bufei. - Mas agora eu vou lá no banheiro atrás da Bianca.

- Você está enjoada de novo? Precisa vomitar? Giovana, nós vamos ao hospital agora. - O Anderson entrou em modo mandão e tentou me puxar para o estacionamento.

- Não vamos, porque nós dois temos prova no último horário. Eu não estou grávida, Anderson, o teste nao falhou. Eu só estou estressada, tipo como eu fiquei antes das provas do vestibular! - Eu soei um pouco irritada e foi convincente o suficiente para que ele entendesse.

- É, você ficou desse jeito mesmo. Tá bom, mas me promete que marca o médico? - Ele me olhava como se pudesse fazer um raio-x e ler meus poensamentos. E quanto mais ele me olhava, mais a mentira me incomodava.

- Prometo! Mas me promete que vai relaxar?

- Prometo, amor. - Ele me deu um beijo e me soltou.

- É... fim de sementre é estressante, né?! - Eu ainda ouvi o Rui dizer de forma nada natural quando eu dei as costas para ir até o banheiro.

- Eu nada, Bianca! Mas eu disse a ele que fiquei enjoada e por isso fui a farmácia. Você sabe como o seu irmão é, já foi logo se preocupando que o teste daquele dia deu errado.

- Como é que você vai conseguir esconder isso dele por uma semana? - A Bianca me encarou, parecia sentir pena de mim.

- Com a sua ajuda e do seu Ruizinho. Agora vamos!

Eu consegui convencê-la a recompor a máscara de quem só estava preocupada com o namorado. Nós saímos juntas e encontramos os meninos já nos esperando com o lanche, pra variar o Anderson resolveu controlar o que eu comia e bebia para que eu não me sentisse mal de novo. Estávamos de volta aos dias de quase nenhum café, vitaminas de grama e um arco íris no prato.

O resto do intervalo foi um exercício de equilibrismo. Eu evitava os olhares minuciosos do Anderson e me lembrava de fazer "cara de doente", enquanto o Rui parecia um condenado à morte, tentando não gaguejar sempre que o Anderson perguntava alguma coisa.

No meio da tarde, enquanto o Anderson e eu estávamos estudando para as provas sa semana seguinte, o meu celular vibrou. Era uma mensagem de um número que eu conhecia bem, mas que raramente me chamava àquela hora. Era a minha Tia Rúbia.

"Gi, temos notícias. A situação é mais séria do que esperávamos. Amanhã, dá um jeito de vir aqui. Precisamos conversar e decidir o que fazer."

Eu senti o ar faltar. O que o Felipe estava aprontando? Eu coloquei o celular de lado, mas meus pensamentos divagaram para as possibilidades. Eu dei uma olhada para o lado, o Anderson estava absorto nos livros, com a mão esquerda sobre a minha coxa e na direita a lapiseira girava distraidamente. Eu me perdi no tempo olhando para ele, mas ele pareceu ter sentido o peso do meu olhar.

- O que foi, Ferinha? - Ele me olhou com aquele meio sorriso fofo de dentes brancos emoldurados pelos lábios rosados. - Você está me olhando de um jeito...

Eu respirei fundo, enterrei os pensamentos e sorri para ele, apreciando o homem em minha frente, lindo, justo, carinhoso... eu sabia que ele faria qualquer coisa por mim. E eu o amava a ponto de fazer qualquer coisa por ele. Eu me lembrei de todas as vezes em que nos sentamos juntos ali para estudar e eu ficava o provocando para ganhar uns amassos.

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