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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu deixei o café da manhã de lado, mal registrando os olhares curiosos das outras mulheres disparando entre a minha avó e eu. Eu me aproximei do sofá quase sem respirar, as imagens daquele domingo distante invadindo a minha mente. Eu devia ter uns sete ou oito anos. Tinha passado a tarde vendo fotos antigas com a minha avó e ouvindo as histórias que ela contava. Rindo de como ela falava que "o seu avô galinha não prestava, Gigi, mas o danado era bonito".

Mas o ápice daquele dia foi quando ela abriu o baú antigo e me mostrou a foto grande em preto e branco do seu próprio casamento, guardada junto com o vestido de noiva. Eu me lembrava de ter ficado hipnotizada pelo vestido dela, tocando a saia e dizendo, com toda a convicção do mundo, que quando eu crescesse, queria ser uma noiva igualzinha a ela, mas eu ia escolher um noivo que prestava.

- Vó... não brinca comigo! - Eu sussurrei, meus olhos marejando enquanto eu puxava a tampa da caixa de papelão grossa.

- Você me disse que seria uma noiva igual a mim, mas que encontraria um noivo bonito e que prestasse. - Ela riu. - Você realmente encontrou um noivo bonito e que presta, mas você vai ser uma noiva infinitamente mais bonita do que eu fui.

O aroma nostálgico de lavanda e folhas de louro, que minha avó usava para espantar as traças, invadiu a sala tão logo eu tirei a tampa da caixa. Protegido por camadas e mais camadas de papel de seda azulado pelo tempo, estava o vestido. O cetim encorpado marfim e a renda francesa soutache que eu só tinha visto uma vez.

O comitê de casamento silenciou a nossa volta. Até a Bianca, com toda a sua postura de cerimonialista ditadora, deu um passo para trás e levou a mão à boca, os olhos brilhando.

- O vestido de casamento da mamãe... - A minha mãe falou com a voz embargada e uma surpresa estamoada no rosto, se aproximando do sofá e tocando o tecido com um respeito quase sagrado. - Eu achei que a senhora tivesse jogado ele fora há anos, dona Arlete!

- Eu guardei a sete chaves, Raíssa. - A minha avó sorriu, a expressão transbordando afeto.

- A senhora não guardou, a senhora escondeu! - A Tia Rúbia apontou.

- Sim, porque não queria vocês duas me atormentando com lembranças. - Minha avó respondeu. - Mas eu guardei para você, Gi, porque você me fez prometer que esse vestido seria seu. Eu sei que o mundo mudou, sei que hoje existem lojas modernas e estilistas famosos, e que você agora é uma mulher cheia de obrigações sérias. Mas eu fiz a minha parte da promessa. Está aqui. Eu não vou me incomodar se você não usar, mas eu te prometi, eu tinha que cumprir.

Eu senti um nó imenso se formar na minha garganta. Eu estava prestes a entrar para a Academia de Polícia e me gabava por não ficar chorando à toa, me vi completamente desarmada por uma velha caixa de papelão e um vestido de noiva.

A Tia Rúbia, que estava cercada de catálogos modernos há cinco minutos, jogou tudo de lado e começou a tirar fotos de tudo, enquanto a minha mãe enfiou as mãos por baixo do papel de seda, erguendo o vestido com o cuidado de quem manipula uma obra de arte em um museu.

- Gi... olha a estrutura desse corpete! - A Hana apontou, os olhos de especialista brilhando e os dedos tocando reverencialmente o tecido. - É um clássico. Esse decote canoa e as mangas longas de renda pura são o ápice da elegância. Olha essa renda! Se a gente ajustar a cintura para o seu corpo e tirar um pouco do volume interno dessa saia para dar mais fluidez e caimento evasê, você vai ficar divina.

- Nossa, eu nunca vi nada tão lindo! Você vai parecer uma rainha ao lado do Anderson. - A Bianca emendou, já recuperando a sua postura de comando, embora a voz ainda estivesse mansa.

- Como isso está tão conservado, mãe? - Minha Tia Rúbia perguntou.

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