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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

O professor declarou o encerramento do juri simulado e o êxito da nossa tese, mas nada do que ele disse ecoou como vitória para mim. Para qualquer um que observasse no auditório, o que tínhamos acabado de entregar era uma performance magistral, digna de um juri real. Mas, para mim, cada palavra técnica e cada troca de olhares gélidos com a mulher que eu amava parecia uma punhalada que eu mesmo desferia e recebia de volta.

- Vencemos, Anderson! - A voz de Maya surgiu como um zumbido estridente ao meu lado.

Antes que eu pudesse reagir eu senti o impacto. A Maya se jogou contra o meu peito, os braços enroscando-se no meu pescoço com uma intimidade que ela nunca possuiu. O perfume dela era doce demais, sufocante demais.

- Solta! - Eu rosnei para a Maya e tirei os braços dela de mim, mas antes que eu me virasse eu ouvi os saltos da Giovana batendo em retirada e quando olhei ela estava passando pela porta quase correndo. - Nunca mais toque em mim, Maya. Eu já cansei de te avisar.

Eu olhei para a mesa onde a Giovana se sentou para o juri. Apenas o Rui estava lá cumprimentando o professor, tão sério que parecia outra pessoa. Ela não estava mais lá. Ela não implorou por um olhar, não tentou uma última explicação. Ela simplesmente partiu, deixando para trás um vácuo que me fez sentir mais sozinho do que na noite anterior. Ela tinha retribuído o meu gelo. E, pela primeira vez, eu tive medo de que ela tivesse aprendido a lição bem demais.

- Ai, Anderson, relaxa, foi só um abraço. Não é como se você tivesse namorada, então qual o problema de um abraço... ou um beijo? - A Maya riu e tentou se aproximar de novo, eu segurei o pulso dela, meu maxilar travado de raiva.

- Quem disse que eu não tenho namorada?

- Precisa dizer? - A Maya deu um sorriso venenoso. - Depois do seu comportamento com a caloura, praticamente a ignorando, a faculdade inteira sabe que vocês não são mais um casal. Agora você pode me dar uma chance.

- Vocês não sabem nada da Giovana e de mim. - Eu soltei o pulso dela e me afastei. - Presta atenção, Maya, eu não ficaria com você nem que você fosse a a última mulher na face da terra. Eu te desprezo, você para mim é menos que nada. É um ser insignificante, mesquinho e vazio. Então para de insistir.

Eu mantive a minha voz baixa, tentando me controlar. E quando eu estava prestes a me virar, o professor me chamou.

- Anderson! - O professor se aproximou com um sorriso orgulhoso. - Você nunca me deceopciona! Sua atuação foi excepcional!

- Obrigado, professor. Foi uma experiência e tanto para mim. - Eu respondi com um aperto de mão, pensando em me afastar, mas ele me reteve.

- Tenho que admitir que a ideia da Giovana foi genial, mobilizar duas turmas para esse juri tornou a atividade muito mais interessante. - Ele elogiou. - Eu queria cumprimentá-la, mas o Rui me disse que ela tinha um compromisso importante e estava atrasada. Não a deixe esquecer de vir falar comigo ainda esta semana, eu pedi ao Rui para dar o recado.

Eu me desvencilhei do professor o mais rápido que pude, mas não foi rápido o suficiente. Eu peguei as minhas coisas e saí do auditório. Mas as pessoas pareciam empenhadas em me parar.

- Anderson, meu filho. Eu estava morrendo de preocupação. - A minha mãe me segurou pelo braço.

- Agora não, mãe! - Eu falei, mas ela não me soltou.

- Agora sim, Anderson! Eu sou sua mãe e nós temos que conversar. - Minha mãe aumentou o tom de voz, com a autoridade de uma mãe irritrada. - Anda, vamos para a minha casa. O seu irmão está lá. Nós vamos nos sentar e conversar como família.

- Rá! - Eu dei um riso sem humor e me aproximei dela abaixando a voz a quase um sussurro. - Como família, mãe? Eu não me lembro de você querer conversar quando decidiu vender a casa que o meu pai deixou. Eu também não me lembro de você querer conversar quando os problemas com o Felipe começaram. Então, por que agora nós temos que conversar como família?

- Anderson, você está agindo feito criança. Desapareceu ontem, me deixou preocupada, meu filho.

Havia mesmo preocupação e ansiedade no seu olhar, mas não era apenas por mim. Eu respirei fundo e olhei para o lado. Alguns passos atrás de nós estavam o Flávio e o Bonfim, copmo se estivessem completamente alheios a tudo, mas eu sabia que não estavam.

- Eu não vou discutir isso agora, Anderson. Você vai para o bar comemorar o sucesso que fizeram hoje, comemorar o fim do semestre e depois vai resolver toda essa bagunça. Você foi para a minha casa ontem. Precisava de espaço, de conselho, a Hana e eu garantimos que você pudesse pensar, mas agora, eu preciso de você e a minha filha precisa de espaço. - O Rafael me avisou.

Ele estava sério, embora não parecesse irritado, mas eu sabia que ele estava cansado e muito preocupado. Ele tinha razão, ele tinha me dado tudo o que eu pedi, o mínimo que eu poderia fazer era ir para o bar.

- Pra onde ela foi? - Eu perguntei.

- Depois daquele showzinho da oferecida da Maya pulando no seu pescoço, você nem merece saber onde ela está! - A Bianca respondeu furiosa.

- Eu não sei onde ela está. - O Rafael respondeu. - Olha, Anderson, eu estou preocupado, mais do que eu consigo te dizer. Eu entendo o seu lado, mas também entendo o dela. Só que agora eu preciso de você no bar. De você, do Rui, da Bianca.

- Rafael, desculpa, mas eu preciso que o Anderson vá em casa, nossa família está... - A minha mãe tentou falar.

- Olha, D. Fátima, eu entendo, mas eu realmente preciso do Anderson. Eu organizei uma comemoração para eles. A Giovana já não estará lá. O Rui vai, mas eu preciso que o Anderson também vá. Além do mais, ele merece comemorar o resultado do esforço dele e eu espero que a senhora esteja lá com ele. E quanto ao seu problema, vem comigo, no caminho a senhora me conta como estão as coisas e de quanto precisa e eu resolvo isso. Vamos aliviar as coisas para o Anderson um pouco.

- Ela não precisa de nada, Rafael. - A Bianca ergueu a voz. - O Anderson acabou de dar até o último centavo que ele tinha no banco para ela. Ele entregou até as chaves do carro. E sabe o que é pior? Não vai adiantar nada. O Felipe vai perder até o último centava e continuar endividado.

- Bianca, não fala assim. Seu irmão vai tomar jeito. - A minha mãe respondeu com a voz embargada.

- Você fez o quê, Anderson? - O Flávio se aproximou finalmente. - Perdeu o juízo, garoto?

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