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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O Flávio ficou encarando o teto por alguns segundos, as mãos ainda cobrindo parte do rosto. Quando ele finalmente nos olhou de volta, a expressão de amigo tinha sumido por completo. Ali estava o delegado de polícia.

- É tão ruim assim, Flávio? - Eu perguntei, sentindo meu estômago dar um nó.

- Você sabe que é, Gi. - Ele me encarou. - Há uns anos atrás, não muitos, quando você ainda estava na Irlanda, o seu pai me olhou exatamente com essa cara quando jogou no meu colo o que foi um dos maiores casos da minha carreira, Giovana. O que era um homicídio sem solução, sendo investigado em parceria com a delegacia de tóxicos, o que era tráfico de drogas, se tornou também lavagem de dinheiro, tráfico humano e uma rede de prostituição de menores. Lembra disso?

- Eu lembro, Flávio, muito bem, infelizmente. - Eu abaixei a cabeça.

- O que o seu pai me entregou estava relacionado com uma investigação que eu já estava fazendo e que parecia só o de sempre, mas que era só uma das pontas soltas de algo grande. - O Flávio contou. - E agora, vocês entram na minha sala para falar de um jogador viciado, cassinos clandestinos e agiotas... até aí, nada demais. Porém, coincidentemente, tudo a ver com o caso que está sobre a minha mesa neste momento, um homicídio que eu ainda não encontrei o autor, mas que tudo indica que tem a ver com apostas e agiotagem.

Quando o Flávio falou aquilo o meu coração congelou e os meus olhos se abriram. O Flávio tinha entendido muito bem tudo o que estava acontecendo, eu é que ainda não tinha me dado conta de que o caso era tão grave.

- Gi, isso tudo é muito sério. Eu entendo porque você está protegendo o Anderson agora, mas nós precisamos contar para ele. - O Flávio me encarou.

- Flávio, o juri simulado é na quarta. É a nossa última atividade do semestre. Dá pra segurar isso até lá? - Eu pedi e ele pensou um pouco.

- Só até quarta, Gi. Eu vou fazer diligências, se eu encontro o Felipe em uma dessas casas ilegais de jogos, eu vou precisar conduzí-lo, aí vai ser inevitável que o Anderson saiba. - O Flávio me avisou.

- Tudo bem, assim que passar o juri eu conto. - Eu senti como se as paredes se fechassem sobre mim.

- Eu vou estar lá, nós vamos conversar juntos com ele. Conta comigo. Nós precisamos manter o Anderson fora dessa encrenca, se o Felipe o envolver... ou se ele se envolver para ajudar o irmão, isso pode acabar com as chances dele na polícia. Você entende isso, não é?!

- Eu entendo e se for preciso eu acorrento o Anderson ao pé da cama, mas eu não vou permitir que ele se prejudique por causa do irmão. Mas não vou mesmo! E ninguém me diga o contrário. Ele já fez muito pelo Felipe, está na hora do Felipe virar homem. - Eu falei irritada, eu não ia permitir mesmo que o Anderson se desse mal. Eu estava disposta a ajudar, mas a salvação do Felipe não custaria os sonhos do Anderson, não desta vez.

O Tio Rubens assentiu, o semblante ainda mais fechado. Mas uma pergunta ainda estava girando ali na sala e precisava ser feita.

- O que nós fazemos agora, Flávio? - Eu perguntei aflita.

Eu saí daquela sala sentindo o peso do mundo sobre os meus ombros. Eu nunca senti tanto medo, nem quandoestava no meio da confusão que o Flávio se lembrou. Eu tinha medo pelo Anderson, pelo futuro que ele sonhava.

Saímos da delegacia com um pacto de silêncio e uma estratégia de guerra. Nós voltamos para a casa dos meus tios e eu peguei o meu carro. Eu precisava ir pra casa, mas também precisava organizar os pensamentos, então eu dei uma volta pela cidade, sozinha com os meus pensamentos. Quando eu finalmente abri a porta do meu apartamento, o cheiro de café fresco me atingiu. O Anderson estava lá e isso me arrancou um sorriso.

O Anderson estava sentado no chão da sala, cercado por resumos e com a minha caneca favorita na mão. Ele usava os óculos de leitura que só colocava quando estava realmente exausto. E ele ficava um gato com aqueles óculos. Quando ele me viu, aquele sorriso de dentes brancos e perfeitos iluminou o rosto dele, e o meu coração apertou tanto que doeu. Eu corri e me joguei no colo dele.

- Oi, minha Ferinha linda. - Ele deixou a caneca na mesinha de centro e me abraçou. - Sentiu a minha falta? - Ele deu um beijo no meu pescoço. - Você demorou... eu estava com uma saudade absurda desse seu cheiro.

- Só do meu cheiro? - Eu ronronei no pescoço dele.

- Claro que não! Eu sinto falta de você todinha, meu amor. - Ele beijou outra vez o meu pescoço.

Ele me apertou mais a minha cintura, me envolvendo naquele abraço quente e seguro que sempre foi o meu lugar preferido no mundo inteiro. Eu me permiti ficar ali naquele abraço, como eu ficava tantas vezes, apenas sentindo o calor do corpo dele no meu e o amor que existia entre nós me acalmando. E ali, com o rosto enterrado no peito dele, eu percebi que a parte mais difícil do plano do Flávio seria olhar nos olhos do homem que eu amava e fingir que o mundo dele não estava por um fio.

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