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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 523

Aos olhos de Nuno, Mafalda estava com as faces levemente coradas, tão perdida que passou vários segundos sem conseguir soltar uma palavra.

A luz da manhã começava a invadir o quarto.

O brilho morno do sol envolveu os dois de lado.

Mas Nuno se aproximou, alto, inclinado só um pouco, e o próprio corpo encobriu parte daquela claridade diante dela.

Havia nele uma luz serena, quase lunar. Já não era apenas o homem limpo e solar que Mafalda sempre enxergou, como se nunca fosse tocado por sombra alguma.

O ar prendeu no peito dela.

Mafalda piscou, franzindo de leve a testa.

— Nuno...

— Casamento de fachada é mentira. Eu não gosto disso. Se a gente se casar de verdade, o seu problema se resolve. Então vamos casar.

Os dedos de Nuno roçaram de leve o canto da boca dela.

O arroxeado da noite anterior já tinha diminuído bastante. Restava só uma marca suave, mas ainda visível sob a luz.

— Nuno... você tem noção do que está dizendo? Não me diga que você ainda...

Mafalda travou no meio da frase.

O coração estava um caos, e ela já não conseguia entender o que, afinal, havia por trás daquilo.

Era só para ajudá-la?

Ou ele...

Nuno sorriu de leve, e os dedos deslizaram devagar de sua face.

— Não entende errado. Eu não estou tentando me aproveitar de você. E também não estou falando em passar a vida inteira ao seu lado.

A voz dele continuou calma.

— Só acontece que eu não gosto de ninguém. E meu pai quer me ver casado o quanto antes. Então, já que nenhum de nós encontrou a pessoa certa até agora, talvez a gente possa cuidar um do outro por enquanto.

Assim que terminou, Nuno se virou como se quisesse parecer tranquilo.

Mas o sorriso desapareceu no mesmo instante.

Porque, por dentro, tudo nele já amargava.

Ao ouvir Mafalda falar em se casar com outro homem, Nuno sentiu a própria compostura se desfazer por um fio.

Se não tivesse aprendido tão bem a se controlar, naquela hora teria perdido a calma e a encurralado com todas as perguntas que carregava há anos.

Depois de tanto tempo guardando aquilo sozinho, Mafalda não foi capaz nem de lhe perguntar uma vez.

Uma frustração muda.

Ela respondeu de imediato:

— O Sr. Felipe quer ver você casado. Mas não comigo. Nessa história, quem sai ganhando sou só eu. Isso não é justo com você.

— Eu estou focado no trabalho. Não tenho o menor interesse em perder tempo com encontros arranjados ou alianças convenientes. Se você me ajuda a escapar desse tipo de pressão, isso também me beneficia. Quanto ao meu pai, eu resolvo.

— Nuno, você não precisa fazer isso...

— Isso é uma decisão minha. Não tenta me convencer do contrário. Mas, claro, eu respeito a sua escolha. Vou lhe dar dois dias para pensar. Se você aceitar, então daqui a dois dias, às oito da manhã, eu espero por você no cartório.

Nuno encerrou o assunto com a serenidade de quem parecia tratar tudo como um acordo qualquer.

Para Mafalda, porém, a impressão que ficou ainda era amarga.

Havia algo naquela proposta que, por mais gentil que fosse, ainda a feria como uma espécie de concessão.

Nuno lhe deu tempo para pensar. E Mafalda também não recusou na hora.

...

Quando voltou ao Grupo Fonseca, Mafalda recebeu uma ligação de Ayla ainda naquela tarde.

Nuno levou o assunto dela tão a sério que, assim que saiu dali, foi direto contar tudo a Ayla.

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