Mafalda o cortou com o rosto em brasa, tomada pela agitação.
Toda vez que ficava diante de Nuno, era assim. Bastava uma fagulha, e ela já incendiava.
Porque, de algum jeito, ele sempre acabava pisando exatamente no ponto onde sua insegurança mais doía.
Depois de despejar tudo aquilo, Mafalda viu um lampejo de surpresa passar pelo rosto dele. Logo em seguida, o olhar de Nuno se encheu de uma emoção difícil de decifrar.
E, ao perceber que o atingiu, ela também se sentiu mal.
O silêncio caiu pesado entre os dois. Até o ar pareceu ficar constrangido.
Mafalda se virou e voltou para o quarto, fechando a porta atrás de si.
Não acendeu a luz.
Apenas se jogou na cama e se escondeu sob o lençol, deixando que a escuridão a engolisse inteira.
No fundo, Mafalda sabia muito bem:
quanto mais tentava se justificar, mais miserável se sentia.
Como se cada desculpa só a deixasse ainda menor.
Como quando ouviu, anos atrás, as últimas palavras da mãe dirigidas à família Barbosa:
— Ela é igual ao pai...
— Se não der jeito, abandonem.
— ...
Mafalda nem sabia a que hora adormeceu. Quando abriu os olhos de novo, o dia mal começava a clarear.
Ao sair do quarto, achou que Nuno já tivesse ido embora.
Mas, no instante em que ia seguir para o banheiro, viu o corpo dele se erguer do sofá largo da sala.
Nuno dormiu ali.
Passou a noite inteira daquele jeito, improvisado, coberto apenas por uma manta.
— Nuno... você ainda está aqui?
Mafalda parou, surpresa.
Uma culpa repentina lhe inundou o peito.
Ainda meio tomado pelo sono, Nuno soltou um som baixo em resposta. Levou alguns segundos para despertar de verdade, colocou os óculos e só então se levantou, ajeitando a camisa amassada.
daqui para frente, seria ele quem a protegeria.
Sem os Barbosa, por acaso Mafalda deixaria de sobreviver em San Elívar?
Mas, depois de ouvir o que ela disse na noite anterior, Nuno também foi obrigado a se rever.
Até então, sempre exigiu de Mafalda a mesma postura que teria exigido de si.
Como se os dois partissem do mesmo lugar.
Só que, se ele estivesse no lugar dela, talvez também não conseguisse romper de uma vez com os Barbosa e abrir mão de tudo o que, em tese, ainda lhe pertencia.
E havia outra coisa. No fundo, Mafalda provavelmente não queria depender dele.
Depois de entender isso, Nuno ficou triste, mas aceitou.
— Agora, o que você precisa fazer é passar pela avaliação do Grupo Fonseca e usar a sua capacidade para calar a boca da família Barbosa e de todo mundo lá fora. A gente cresce assim. Mesmo quando a vida aperta, enquanto não chega o último instante, você também não desistiu, desistiu?
Nuno sabia que Mafalda talvez não gostasse de ouvir aquilo. E também sabia que não tinha exatamente o direito de ensinar nada a ninguém. Mas, ainda assim, não conseguiu se calar.
Mesmo que Mafalda acabasse o odiando por isso.
— Nuno, na verdade, ainda existe outro jeito de eu sair da casa dos Barbosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Falso Herança Verdadeira
Tá um nojo não anda...
O livro congelou…. Fica duas sem abrir qualquer capítulo… Tudo trancado! Vou abandonar. Tem uma semana, que não abre capítulo pra eu ler. Só pagando! Tô fora! Já bastam esse monte de comerciais, o tempo todo! Chega desse livro!...
Mas que loucura é essa agora a Ayla vai virar refém dessa escória de André e Carolina, não, não que desfecho é esse dois meses pra coitada ficar ainda,tô sem vontade de continuar lendo este livro....
Quando vai sair mais capítulos 580...
Tá muito enrolado tá demorando demais...
Começa agora a aparecer cada obstaculo para esse casal, é assassino profissional, é doença, chega!...
Tá uma enrolação só…e só estão liberando um capítulo por dia. No Blue Novel tá liberado tudo....
Parou no 550 faz mais de uma semana. Quantos capítulos tem esta novela?...
Porque não avança estes capítulos, está muito demorado....
A historia já está ficando chata, sem falar na demora p postar os capítulos! Fiz a leitura até a pg 531 sem precisar pg, agora q a história tá ficando chata quer cobrar?...