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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 509

Havia uma única sombra pairando sobre a cabeça de todos.

A dúvida era só uma: qual era a chance de aquela mancha ser um tumor.

Daniel, por outro lado, continuava surpreendentemente calmo.

— Eu fazia check-up todos os anos. Nunca apareceu nada parecido antes.

— Sim... esse tipo de alteração repentina pode, sim, ter relação com lesões antigas — O médico falou, pesaroso. — Mas, por enquanto, ainda não dá para afirmar nada. O senhor não precisa se alarmar antes da hora.

— Só vamos saber de fato depois da biópsia.

— ...

Ao ver Daniel em silêncio, Enzo se apressou em completar:

— Também pode ser só um susto, não pode? A saúde do meu senhor sempre foi muito boa.

— Pode... claro que pode.

O médico assentiu de forma contida, mas não conseguiu oferecer muito mais consolo do que aquilo.

A possibilidade de ser um alarme falso existia, sim.

Só que, pelo quadro que Daniel descrevia, essa possibilidade era muito pequena.

— Se for mesmo o que vocês estão suspeitando, tem cura?

Só depois de um longo silêncio Daniel tornou a falar, a voz baixa e grave.

O médico respondeu:

— Quanto a isso, o senhor não precisa sofrer por antecipação. Tumor também tem naturezas diferentes. E, pela imagem, a área afetada não parece grande. Desde que não seja maligno... existe a possibilidade de tratamento conservador.

Embora Daniel tivesse se recuperado muito bem até aqui, o corpo dele já não suportava uma cirurgia.

Fosse um tumor maligno ou benigno, o caminho que restava para ele ainda seria o tratamento conservador.

— Então eu... — Por um instante, o olhar de Daniel vacilou no vazio. Depois, voltou a se fixar no médico responsável com uma firmeza quieta. — Eu vou morrer?

Daniel pensou na morte desde muito novo.

Na época em que caiu nas mãos dos sequestradores, ele não queria morrer de jeito nenhum.

Naquele tempo, repetia para si mesmo, em silêncio, que bastava sobreviver.

Porque tudo o que carregava ao vir a este mundo, tudo o que devia, tudo o que o odiava e tudo o que ele também odiava... nada mais importaria.

Ele só queria continuar vivo.

O desejo feroz de viver e o pavor da morte fizeram com que Daniel passasse muitos anos sem jamais conhecer a verdadeira sensação de segurança.

Queria viver mil coisas com a mulher que amava, percorrer com ela rios e montanhas, contemplar ao seu lado a imensidão do mundo e toda a sua beleza...

Mas talvez fosse exatamente por Ayla estar agora ao seu lado que o medo se tornava ainda maior.

O desespero só é desespero porque esmaga a esperança.

No fim do outono, a noite chegava cada vez mais cedo.

Quando Ayla voltou para casa, ainda não eram cinco horas, mas o lado de fora já estava tomado pelo crepúsculo, e o último brilho do sol tinha sumido.

As cortinas continuavam abertas, e a sala permanecia às escuras.

Daniel ainda estava sentado junto à janela, exatamente no lugar onde mais gostava de ficar quando Ayla estava com ele.

Só quando ouviu a porta se abrir ele se levantou e, num gesto distraído, acendeu a luz.

Ayla mal pousou as coisas que trazia nas mãos e já correu para se jogar nos braços dele. Ultimamente, a primeira coisa que fazia ao voltar para casa era encher Daniel de abraço e beijo.

O corpo dele era aconchegante de um jeito quase viciante.

E o abraço de Daniel tinha ternura suficiente para mantê-la a salvo de toda a aspereza do mundo.

Por mais que ela o abraçasse, nunca parecia suficiente.

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