Durante muito tempo, ninguém abriu a porta.
Bianca ficou esperando do lado de fora por quase meia hora. A noite foi ficando mais funda, o frio foi entrando até os ossos, e só então ela se preparou para ir embora.
— O que você veio fazer aqui?
Nesse instante, a porta finalmente se abriu.
Gustavo apareceu diante dela, usando um suéter preto de tricô grosso, largo no corpo, com o rosto abatido.
Ainda havia gaze presa à cabeça. Os hematomas no rosto já tinham perdido um pouco da força, mas continuavam visíveis. Ao andar, ele mancava, sem firmeza alguma.
O cabelo estava todo bagunçado, mas não parecia alguém que tivesse acabado de acordar.
Bianca se virou na mesma hora e entrou sem esperar convite. O cheiro pesado de álcool bateu nela assim que passou pela porta.
— Você está bebendo?
Gustavo não respondeu. Apenas virou as costas e seguiu para dentro.
O corpo dele balançava levemente a cada passo. As costas, antes sempre retas, agora se curvavam num cansaço estranho. Parecia outro homem.
Ele foi até o fundo da sala, puxou uma cadeira junto ao balcão e se sentou.
A casa estava uma bagunça.
Havia lixo espalhado por toda parte, embalagens largadas sem cuidado, garrafas vazias tombadas de um lado para o outro.
— Gustavo, por que você está assim?
Bianca realmente não esperava por aquilo. Quando saiu dali, Gustavo ainda insistia no divórcio, mas pelo menos mantinha alguma aparência. Continuava de pé, inteiro, sustentando a própria fachada.
Agora, porém, ele parecia ter despencado de vez.
— Quando você quer resolver os papéis?
A mão dele voltou a tocar a garrafa. A voz saiu turva, pesada de álcool.
— Você precisa mesmo se divorciar de mim?
Bianca não imaginou que, depois de tantos dias sem se verem, a primeira coisa que ouviria seria aquilo outra vez.
O coração dela afundou.
— Você faz ideia do quanto eu fiquei preocupada quando Vera me contou que bateram em você? Eu vim aqui hoje justamente para ver como você estava.
— Hum. Graças a você, eu não morri.
Bianca sentiu, mais uma vez, que estava pisando na própria dignidade.
De novo ela abaixava a cabeça diante dele.
Mas eram dez anos de história.
Aceitar o fim assim, desse jeito, era algo que ela não suportava. E também não aceitava.
Por que a família Siqueira só enxergava valor em Ayla?
E por que Gustavo queria voltar atrás?
Se aquela relação tivesse mesmo de acabar, então o ponto final precisava partir dela.
— Bianca. Já terminou seu teatro?
No instante em que quase se comovia com as próprias palavras, Gustavo soltou a frase, fria como gelo.
O corpo dela enrijeceu de uma vez. Os dedos ainda presos à cintura dele foram afastados com brutalidade.
Gustavo recuou meio passo e se virou para encará-la.
O olhar que pousou sobre Bianca era fundo, escuro, gelado como um abismo sem fim, sem o menor vestígio de luz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Falso Herança Verdadeira
Tá um nojo não anda...
O livro congelou…. Fica duas sem abrir qualquer capítulo… Tudo trancado! Vou abandonar. Tem uma semana, que não abre capítulo pra eu ler. Só pagando! Tô fora! Já bastam esse monte de comerciais, o tempo todo! Chega desse livro!...
Mas que loucura é essa agora a Ayla vai virar refém dessa escória de André e Carolina, não, não que desfecho é esse dois meses pra coitada ficar ainda,tô sem vontade de continuar lendo este livro....
Quando vai sair mais capítulos 580...
Tá muito enrolado tá demorando demais...
Começa agora a aparecer cada obstaculo para esse casal, é assassino profissional, é doença, chega!...
Tá uma enrolação só…e só estão liberando um capítulo por dia. No Blue Novel tá liberado tudo....
Parou no 550 faz mais de uma semana. Quantos capítulos tem esta novela?...
Porque não avança estes capítulos, está muito demorado....
A historia já está ficando chata, sem falar na demora p postar os capítulos! Fiz a leitura até a pg 531 sem precisar pg, agora q a história tá ficando chata quer cobrar?...