Carolina respondeu sem a menor hesitação. Continuou olhando para a estrada à frente e nem percebeu a emoção que, aos poucos, surgia no olhar do homem ao seu lado.
O carro ficou em silêncio.
Recostada no banco, Carolina virou o rosto para a janela e observou o sol se espalhando pelas ruas da cidade.
No fim de outubro, a temperatura estava especialmente agradável. O sol do meio-dia entrava pela janela, morno, confortável.
Carolina abaixou o vidro, fechou os olhos e ergueu levemente o rosto, deixando a luz tocar sua pele. O vento fresco entrou pelo carro, passou de leve por seu rosto e levantou alguns fios de cabelo.
Em poucos segundos, suas bochechas ganharam um tom rosado.
Pelo canto dos olhos, Henrique viu aquela cena e não conseguiu evitar olhar mais de uma vez. Mas estava dirigindo e não podia se distrair. Ainda assim, pelo retrovisor lateral, conseguia ver o rosto dela.
Antes, Carolina mantinha as janelas sempre fechadas e as cortinas bem puxadas. Passava os dias escondida em quartos escuros e frescos, às vezes deitada, às vezes encolhida em algum canto, sempre envolta por uma tristeza silenciosa.
Agora, gostava de tomar sol. Gostava do cheiro do vento. Parecia mais viva, mais saudável, luminosa de um jeito delicado, bonita a ponto de prender a respiração.
Henrique chegou a sentir inveja do sol e da brisa, que naquele momento podiam tocá-la tão livremente.
O carro parou diante de um restaurante afastado, conhecido pela moqueca.
Por algum motivo, restaurantes daquele tipo pareciam sempre preferir lugares mais tranquilos, longe do movimento, quase escondidos. Ainda assim, nunca faltavam clientes dispostos a ir até lá só para comer.
— Chegamos.
Henrique soltou o cinto de segurança.
Carolina também começou a soltar o seu enquanto observava o lado de fora.
O lugar era tranquilo, silencioso, elegante sem ostentação. O restaurante era simples, discreto, nem sequer tinha uma placa chamativa com o nome. Ainda assim, o estacionamento estava cheio.
Talvez fossem justamente lugares assim que guardavam os sabores mais autênticos.
Depois de descer do carro, Carolina perguntou, curiosa:
— Em Nova Capital também tem moqueca de verdade?
— Aqui tem. Foi você que me trouxe aqui antes.
Henrique caminhou até o lado dela e olhou para o restaurante.
— Quando?
— Sete anos atrás.
— Faz tanto tempo assim?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...