A tensão continuava no ar, densa como pólvora prestes a pegar fogo.
Carolina falou devagar, uma palavra de cada vez:
— Eu perdi a memória. Mesmo assim, quando ouço vocês falando do filho que perdi, sinto uma dor enorme. Nem consigo imaginar o quanto a Carolina de antes deve ter sofrido convivendo com parentes como vocês. Não é à toa que a depressão dela piorou tanto. Pelo visto, vocês também tiveram sua parcela de culpa nisso, não tiveram?
César soltou uma risada fria.
— O que a sua depressão tem a ver com a gente? Além do mais, nem dá para dizer que somos parentes. Você ainda nem se casou com o Henrique.
— César, você...
A voz de Henrique saiu dura. Ele estava prestes a perder a paciência, mas Carolina o interrompeu.
Num tom calmo, quase indiferente, ela disse:
— Laços de sangue e vínculos legais são importantes, claro. Já que o primo dá tanto valor a essas duas coisas, é melhor conferir tudo direitinho quando a criança nascer. Vai que acaba criando filho dos outros, não é?
Letícia ficou tão furiosa que fechou os punhos com força. O corpo inteiro tremia. Ela encarava Carolina com o rosto transtornado de raiva, o peito subindo e descendo, os dentes cerrados.
Carolina, no entanto, continuava serena, com um sorriso bonito e tranquilo nos lábios.
Pouco importava se o filho de Letícia era ou não de César.
Depois de uma frase tão venenosa, a relação dos dois jamais voltaria a ser exatamente a mesma. Uma rachadura ficaria ali. César passaria meses incomodado. Quando a criança nascesse, se pedisse um exame de DNA, a confiança do casal estaria destruída. Se não pedisse, aquela dúvida ficaria cravada em seu peito para sempre.
Era um golpe baixo, sem dúvida.
Mas, desde que fizesse os dois sofrerem por bastante tempo, Carolina já teria conseguido o que queria.
César e Letícia ficaram à beira de um ataque de nervos.
Henrique também sentiu certo alívio ao vê-los receber aquela resposta. Mas, por outro lado, Carolina já não se importava com ninguém. Nem mesmo com ele.
No fundo, ela parecia não querer nada e não temer nada. Não se importava com o que a família dele pensava. Mesmo que desagradasse ao avô, não voltaria a se humilhar para agradar ninguém.
Na verdade, ela sempre tivera esse temperamento.
Só que, antes, por se importar demais com Henrique, tratava a família dele e os mais velhos com uma educação extrema. Engolia uma coisa atrás da outra, cedia sempre, suportava tudo calada e deixava cada mágoa corroer seu coração por dentro.
Naquele instante, Henrique soltou um leve suspiro de alívio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...