Depois de colherem uma cesta cheia de peras, Henrique a pegou e seguiu em direção à cozinha.
Deu alguns passos e olhou para trás. Ao ver Carolina vindo atrás dele, continuou andando.
— Você lava. Eu corto e bato para tirar o suco.
Enquanto caminhava, ele já ia distribuindo as tarefas, como se quisesse garantir que ela continuasse por perto.
Carolina perguntou, curiosa:
— Vai cozinhar usando o suco da pera?
— Isso. A gente mói a fritilária, a nêspera e as tâmaras secas até virar um pó bem fino, mistura com o suco de pera e deixa no fogo baixo por mais ou menos uma hora, até engrossar e virar uma calda. Quando amornar, coloca nos potes. Dura mais de um ano. Depois é só diluir um pouco em água quente. Ajuda a acalmar a tosse e faz bem para a garganta e os pulmões.
Carolina olhou para ele, surpresa.
— Então você sabe fazer mesmo.
Ao entrarem na cozinha, Henrique despejou as peras na pia, abriu a torneira e depois se virou, apoiando-se na bancada.
— Achou que eu estava brincando?
Carolina balançou a cabeça e arregaçou as mangas.
— Achei que você fosse pesquisar a receita na internet.
Ela se aproximou da pia.
Henrique soltou uma risada baixa. Ergueu a mão, acariciou a cabeça dela e falou com uma ternura muito natural:
— Eu sei fazer. Não estou fingindo.
Carolina ficou ligeiramente atordoada.
Uma sensação familiar de calor atravessou seu peito. Ela levantou os olhos para ele.
A mão de Henrique permaneceu sobre sua cabeça por alguns segundos antes de descer. O canto de seus lábios se ergueu de leve.
— Desculpa. Força do hábito.
— Você gostava muito de mexer no meu cabelo antes?
— Gostava de mexer em tudo. Mas, como você não é muito alta, sua cabeça era o que ficava mais à mão.
Ele disse aquilo com absoluta naturalidade.
Carolina, por outro lado, sentiu o rosto esquentar e o coração bater mais rápido.
Perder a memória era mesmo um problema. Bastava uma frase um pouco mais insinuante para ela já não saber como reagir.
Ela ficou em silêncio.
Continuou lavando as peras com cuidado e colocando-as na cesta.
Henrique pegava as frutas limpas, retirava o miolo e cortava a polpa em quatro pedaços para preparar o suco.
A luz do sol entrava pela janela e iluminava toda a cozinha. As duas silhuetas, uma mais alta e outra mais baixa, trabalhavam lado a lado. O ambiente inteiro parecia aquecido como uma tarde de primavera, enquanto um leve aroma de pera se espalhava pelo ar.
Henrique cortou um pedaço da fruta e o ofereceu a Carolina.
— Quer provar?
O perfume doce das peras já havia despertado a vontade dela. Carolina levantou a mão molhada para pegar o pedaço, mas Henrique desviou de seus dedos e levou a fruta diretamente até a boca dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...