Vanessa acabou rindo de pura irritação com o que ela disse e logo tirou a pera de sua mão.
— Menina, essa pera acabou de ser colhida. Nem lavada foi. Vou descascar antes de você comer.
Ela pegou a faquinha que estava sobre a mesa de centro e começou a tirar a casca. Toda satisfeita, Carolina abraçou o braço dela e disse, manhosa:
— Mãe, às vezes acho que eu é que sou a filha que você perdeu há anos. O Henrique deve ter sido encontrado por aí.
As sobrancelhas de Vanessa se franziram de leve. Ainda descascando a pera com calma, ela comentou, sem pressa:
— Carol, pare de ler livros de direito e vá escrever novela. Com uma trama melodramática dessas saindo da sua cabeça, eu sou obrigada a admirar a sua criatividade.
Henrique estava viajando e não ficava em casa. Lívia e Saulo, presos à rotina do trabalho, saíam cedo e só voltavam tarde. Assim, Carolina acabava passando quase todos os dias ao lado de Vanessa. Quanto mais conviviam, mais ela gostava daquela sogra.
Não. Daquela mãe.
Era exatamente essa a sensação que Vanessa lhe dava.
A de uma mãe.
— Depois de amanhã, você vai ao aeroporto buscar o Rick?
Vanessa lhe entregou a pera já descascada.
Carolina empurrou a fruta já descascada na direção dela.
— Mãe, come um pedaço também.
— Não quero. Pode comer.
Vanessa empurrou de leve a mão dela de volta.
— Come. Mãe e filha não têm frescura com essas coisas.
Vanessa sorriu, com o coração derretido. Seus olhos se encheram de carinho enquanto dava uma mordida.
Por dentro, sentiu uma doçura ainda maior que a da própria pera.
Vanessa passou a achar Carolina cada vez mais encantadora. Não era à toa que Henrique sempre gostara tanto dela. Sem aquela sombra de tristeza que antes parecia acompanhá-la, seu jeito manhoso revelava uma doçura inesperada.
Carolina também deu uma mordida na pera e só então respondeu, devagar, à pergunta que Vanessa havia feito:
— O Henrique me ligou há um tempo dizendo para eu ir buscá-lo no aeroporto. De que flor ele gosta?
— Hã?
Vanessa ficou surpresa.
Carolina continuou mordendo a pera e perguntou:
— Ué, quando a gente vai buscar alguém no aeroporto, não leva flores?
— Ah... Pode levar qualquer uma. Ele vai gostar.
— Sério?
Os olhos de Carolina estavam límpidos e brilhantes. Ela empurrou a pera de novo na direção de Vanessa.
Vanessa não se importou e deu mais uma mordida.
— Pronto, chega. Não vou comer mais.
— Tá.
Carolina assentiu, sentou-se no sofá, pegou o celular e ficou olhando para a tela enquanto comia a pera.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...