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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 107

Luana hesitou, visivelmente constrangida.

— Aquele… Será que você pode me tirar da lista de bloqueio? Às vezes quero falar com você e não consigo te encontrar.

Carolina ficou em silêncio por um instante. Era como se uma mão enorme apertasse seu coração. De repente, seus olhos se encheram de lágrimas.

Neste mundo, não existe filho que não ame os próprios pais.

Só que esse amor, pouco a pouco, vai se desgastando entre decepções. Ele não desaparece… Apenas fica reprimido, enterrado bem no fundo.

— Carol. — Luana falou depressa. — Eu prometo que nunca mais vai te obrigar a fazer coisas que você não gosta. Também não vou mais te pressionar para arrumar trabalho para o seu irmão, comprar carro, comprar casa ou investir em negócio para ele. Se você quiser ajudar, ajuda… Se não quiser, também não tem problema.

Carolina apertou a alça de tecido do recipiente térmico. Os nós dos dedos ficaram rígidos e esbranquiçados. A ponta do nariz ardia.

— Mãe… Quanto o Henrique te deu?

— Nada. — Luana balançou a cabeça. Seus olhos estavam cheios de sinceridade. — Ele não me deu um centavo sequer.

— Ele te ameaçou?

— Também não. — Luana abriu um leve sorriso, quase admirado. — Na verdade, ele parece um rapaz muito bom. Educado… E bem bonito também. Um homem muito decente.

Carolina ficou um pouco atordoada.

De repente, Luana pareceu se lembrar de algo. Seus olhos brilharam e ela abaixou a voz.

— Ah, é mesmo. Acabei de ouvir lá embaixo o pessoal do condomínio comentando que o Antônio foi preso pela polícia. Não sei o que ele aprontou. Ainda bem que você teve bom olho e percebeu cedo que ele não era boa pessoa. Eu que me enganei antes… Até achava que ele era um homem honesto.

Ele tinha sido preso na noite anterior, e já naquela manhã a notícia tinha se espalhado.

Pelo visto, as mulheres fofoqueiras do condomínio eram realmente eficientes quando o assunto era informação.

— Já entendi. Pode voltar.

O humor de Carolina estava claramente mais pesado.

Luana ainda acrescentou:

— Então lembra de me tirar da lista de bloqueio, está bem?

Carolina não respondeu.

Apenas fechou a porta lentamente.

Do lado de fora, a voz de Luana ainda ecoou:

— Carol. O casamento do seu irmão vai ser no Ano-Novo. Não esquece de voltar, está bem? Traz o Henrique também.

Carolina virou-se e encostou as costas na porta. Sentia como se alguém tivesse arrancado seu coração, deixando um vazio pesado dentro do peito.

O pote de comida em suas mãos parecia estranhamente pesado. De repente, seus olhos se encheram de lágrimas.

O que exatamente Henrique tinha dito à mãe dela?

A mãe… De repente começou a tratá-la bem.

Se era sincero ou não… Já nem importava tanto.

Desde pequena, Carolina ansiava por amor materno. Mesmo percebendo vagamente que aquela preocupação talvez não fosse totalmente genuína, ela ainda queria acreditar.

Queria acreditar…

Era o sabor que, na memória dela, pertencia à mãe.

Carolina mastigava devagar.

De repente, a garganta se apertou, como se algo a estivesse bloqueando. A colherada de mingau ficou presa na boca, simplesmente não descia.

As lágrimas começaram a se acumular nos olhos sem controle, enquanto um peso sufocante se espalhava pelo peito.

Segurando a colher, ela baixou a cabeça e se forçou a engolir aquela colherada.

Grandes gotas de lágrima caíram uma após a outra dentro da tigela.

Foi por causa do Henrique?

Então… A mãe voltou a amá-la?

Carolina pousou a colher.

Levantou-se, puxou alguns lenços de papel e enxugou as lágrimas. Depois caminhou até a varanda e olhou para baixo.

A mãe ainda não tinha ido embora.

Estava sentada em um banco de pedra do condomínio, conversando animadamente com algumas senhoras. Pelo jeito como estavam inclinadas umas para as outras, cochichando, com certeza estavam fofocando sobre alguma coisa.

Talvez…

Talvez a mãe apenas preferisse filhos homens, amasse um pouco mais o irmão.

Mas isso não significava que não a amasse também.

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