O rodei nos dedos, sentindo o vidro frio. Cada segundo de hesitação era um segundo a mais que aquela dívida sangrenta pendia sobre a cabeça de Lorena e Alana.
Sobre o futuro que eu estava tentando construir a partir dos escombros.
Liguei e o toque pareceu ecoar na sala vazia.
Ele atendeu atendeu na segunda chamada.
— Diogo.
A voz do meu amigo veio calma, como se estivesse sorrindo um tempo antes… Mas mudou, ele reconheceu o meu tom.
— Rafael. Tudo em ordem?
Respirei fundo, tentando achar uma calma que não existia mais.
Minha voz saiu tensa, carregada de uma fadiga que ia até os ossos.
— Diogo… vou precisar da sua ajuda. Tua e do Alessandro.
Do outro lado, ouvi um suspiro. Não de irritação, mas de prontidão, ele sabia que quando eu pedia assim, o buraco era fundo.
— O que aconteceu?
Meus olhos subiram involuntariamente em direção ao teto, para onde ela dormia. Toda a razão disso.
Toda a minha fraqueza e a minha força. Eu não podia quebrar.
— Te explico quando nos encontrarmos. — A frase saiu curta, quase brusca.
Era tudo que eu conseguia dizer sem que a raiva, a frustração, a humilhação de ter que chegar a esse ponto transbordasse.
— Amanhã de manhã, no meu escritório.
Diogo não fez mais perguntas. Era um dos motivos pelo qual confiava nele com a minha vida.
— Certo.
Desliguei e apertei o celular com tanta força entre os dedos que o plástico rangiu. Mais de vinte milhões.
A cifra girava na minha cabeça como um parafuso apertando minha têmpora.
Isso… podia quebrar a minha empresa.
O que construí com as próprias mãos, suor e uma porção de jogadas arriscadas que deram certo.
Não era só um negócio, era a prova de que eu tinha conseguido superar muitas coisas…
Era um empreendedor agora e tinha funcionários, dezenas deles, que dependiam daquilo para comer e sustentar as famílias.
Fechar as portas? Mandar todo mundo embora? Me tornar, de novo, o motivo de gente perdendo o sustento?
Meu estômago embrulhou.
A empresa do meu pai quase faliu quando eu era adolescente. Lembro do olhar vazio dele, da sensação de falha que impregnou a casa. Eu jurei que nunca seria aquilo.
E agora, por causa de um lixo como o Thales, por causa de uma dívida de jogo com os fantasmas do Eclipse… eu estava prestes a jogar tudo fora?
Para limpar a merda dele? A raiva que eu pensei ter extinguido com a bala na sua testa voltou, fresca e fervente.
Quase conseguia sentir o cheiro de sangue e pólvora de novo.
Mas aí, a imagem da Lorena, dormindo um sono inquieto lá em cima, se sobrepôs. A confiança nos olhos dela quando me olhava.
A forma como a Alana tinha me aceito e a promessa que eu tinha feito a mim mesmo de protegê-las de tudo, para sempre.
Não podia deixar essa espada pendendo sobre elas.
Os Selos não eram brincadeira. A palavra deles, uma vez dada, tinha valor. Mas a ameaça à família dela? Isso estava fora de questão.
Minha mãe estava em silêncio, lavando algumas tigelas na pia, mas senti o olhar dela em mim.
Um olhar pesado, cheio de perguntas e de uma esperança cautelosa que ela não ousava verbalizar.
Enquanto eu comia, Alana terminou seu suco e ficou olhando para as mãos no colo, agora quieta.
O nervosismo parecia voltar, como se a tarefa de comer tivesse acabado e ela não soubesse o que fazer a seguir.
— A mamãe… — ela começou, a voz um fio de som.
— Está dormindo — respondi rápido, suavemente. — Está tudo bem, ela só está muito cansada. Você pode terminar de comer com calma, e depois eu te levo pra ficar com ela, se quiser.
O seu rosto se iluminou com um brilho rápido, mas intenso. Ela assentiu com a cabeça, e um fio de chocolate no canto da boca me fez sorrir de novo.
Quando ela terminou, limpei o seu rosto com um guardanapo com cuidado, e ela me permitiu, ficando parada.
— Pronta? — perguntei, estendendo a mão.
Ela olhou para minha mão por um segundo que pareceu uma eternidade.
Então, sua mão pequena e fina deslizou na minha, se encaixando com uma confiança frágil que me comoveu.
Segurei com firmeza, mas sem apertar, e a guiei para fora da cozinha.
Senti os olhos da minha mãe e de Milena seguindo a gente, e um peso de responsabilidade, mas também de um orgulho estranho me acompanhou pelos corredores.
Subimos as escadas em silêncio e quando chegando à porta do meu quarto, fiz um gesto para que ficasse quieta e abri a porta lentamente.
Lorena estava lá, deitada de lado, coberta até o queixo, com a respiração profunda e regular.
Seus cabelos dourados se espalhavam no travesseiro, e no sono, ela parecia ainda mais jovem e vulnerável. Meu coração deu uma volta, aquecendo-se de um amor tão intenso que, por um segundo, doeu.
— Shhh — sussurrei para Alana, ajoelhando ao lado dela. — Ela está dormindo. Você quer deitar um pouco também? Ficar perto dela?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....