Cheguei na Alemanha já quase no fim da manhã, com aquele cansaço que deixa o corpo pesado, mas a mente ligada demais pra desligar. Peguei o carro que já estava reservado pra mim e fui direto pro hotel.
Assim que entrei no quarto, tirei a jaqueta, deixei a mala num canto e fui pro banho. A água quente bateu no meu rosto e, por alguns segundos, eu só fiquei ali… parado, respirando.
A viagem tinha sido longa e eu ainda carregava o gosto da noite anterior.
Saí, me vesti com algo mais formal e deitei só pra dar uma descansada rápida antes de ir pro escritório. Não dormi, minha cabeça não deixava, mas fechei os olhos e deixei o corpo recuperar uns 10% da energia.
Depois fui.
O prédio da filial estava igual ao que eu lembrava, impecável, silencioso, funcionando como um relógio suíço. E Markus vinha vindo no corredor, com uma camisa social impecável, pasta na mão e aquele jeito metódico dele.
— Rafael — ele me cumprimentou com um aperto de mão firme —, bom tê-lo aqui.
— Já era hora de voltar — respondi.
Markus assentiu e me guiou até uma sala de reuniões vazia. Assim que entramos, ele fechou a porta e cruzou os braços, respirando fundo.
— Klaus está tentando entrar no escritório há dias — ele começou. — Tentou várias vezes, sempre barrado. Mas de alguma forma, ele conseguiu.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a dor de cabeça começar a pulsar atrás da têmpora.
— E ele insiste em falar comigo, imagino.
— Insiste — Markus confirmou. — E, sinceramente, acho que não vai parar enquanto não conseguir.
Passei a mão no rosto, tentando conter a irritação.
— Você já descobriu quem pode estar passando informação pra ele?
Markus hesitou.
— Suspeito de alguém… mas ainda não tenho provas. — Ele aproximou um pouco, baixando a voz. — Preciso montar uma armadilha pra ter certeza. Só assim teremos como agir legalmente.
— Certo. — assenti. — Então vamos pensar.
Nos sentamos na mesa, abrimos o tablet com gráficos e relatórios e começamos a montar o quebra-cabeça. Um por um.
Depois de quase meia hora discutindo hipóteses, chegamos à conclusão lógica:
— A armadilha tem que parecer natural — eu disse. — Algo que todo mundo participe e ninguém desconfie.
Markus levantou o olhar, entendendo.
— Uma festa.
— Exato. — confirmei. — Uma comemoração pela minha vinda. Reúne todos, atrai quem interessa e deixa o informante confortável. E enquanto isso… colocamos câmeras extras nas salas.
— Sem ninguém saber — Markus completou.
— Só nós dois — falei. — Eu mesmo instalo se for preciso.
Ele sorriu de lado, como se tivesse esperado por essa parte.
— A festa pode acontecer amanhã à noite — Markus sugeriu. — O salão do prédio comercial está disponível.
— Perfeito. Avise o pessoal, diga que quero ver todos lá. Agora, vamos ver o que o Klaus quer.
Markus pegou o celular, discou e esperou. A ligação tocou longa demais, até que caiu na caixa.
Ele tentou de novo.
Dessa vez, alguém atendeu.
— Markus… — Klaus respondeu. — Onde está o Rafael? Preciso falar com ele.
O celular estava no viva-voz. Markus me entregou o aparelho com o olhar sério e eu peguei.
— Klaus. — minha voz saiu fria, mais do que eu esperava.
Do outro lado, silêncio por alguns segundos.
— Rafael… precisamos nos encontrar. É importante. — Ele parecia desesperado, ou tentando parecer. — Não posso falar por telefone.
— Então diz o lugar — respondi, sem alterar o tom.
Ele passou o endereço.Um café público, movimentado, num bairro central.
Claro. Klaus jamais escolheria um lugar onde eu pudesse “agir”. Ele acreditava mesmo que eu ainda jogava o jogo dele.
— Certo. — confirmei. — Estarei lá às cinco.
— Obrigado, Rafael — ele disse. — Você não vai se arrepender.
Desliguei sem responder e entreguei o celular a Markus.
Ele soltou um suspiro tenso.
— Só estou aqui porque você insistiu, dizendo que era urgente. Então fala. O que você quer dessa vez?
Ele respirou fundo, assumiu um ar sofrido que não me enganava nem por um segundo.
— Eu… estou passando por uma situação complicada. Um problema sério. E pensei que… talvez você pudesse me ajudar financeiramente, só até eu…
— Não — falei antes de ele terminar. — Nem começa. Não vou te dar dinheiro, nunca mais.
A máscara caiu ali e o seu rosto ficou duro, os olhos estreitos.
— Você é muito ingrato, sabia? — Ele bateu o dedo na mesa, irritado. — Fui eu quem te ajudou no começo, quem colocou capital na empresa e quem acreditou em você! E é assim que me paga?
— Klaus… — eu ri, mas sem humor — você investiu porque ia lucrar, não porque é um anjo da guarda. E nós poderíamos estar juntos até hoje como sócios, se você não fosse um porco imundo, egoísta.
Ele ficou completamente imóvel por alguns segundos. Depois, inclinou-se devagar, como quem se prepara para golpear.
— E você acha que vai se livrar das consequências de tudo que fez? — murmurou. — Inclusive… daquilo com a Lucy.
Meu estômago travou. Foi instintivo. Ele percebeu minha reação e o sorriso voltou, venenoso.
— Pois é… Aquele dia. Aquelas palavras. Você sabe que foi por causa da briga com você que ela saiu correndo daquele jeito. E o acidente… As sequelas… Imagina se o pai dela resolvesse saber disso agora? O que ele ia pensar de você, hein?
A vontade de levantar e enfiar a mão na cara dele veio com força. Eu juro que minhas mãos tremeram sob a mesa. Engoli a raiva, respirei fundo e respondi devagar, medindo cada palavra.
— Eu já conversei com a Lucy naquela época e o pai dela sabe de tudo. Você não me assusta, Klaus. Para de tentar manipular as coisas. Isso não funciona mais comigo.
A expressão dele mudou de novo para choque, seguido de ódio puro.
— Veremos se ele sabe mesmo…
— Já deu. — Levantei da cadeira. — Não vou perder mais tempo com você e não adianta tentar. Eu nunca mais vou te passar um centavo. E a sua palavra… vale menos que nada.
Ele também se levantou rápido, segurando meu braço.
— Você vai se arrepender de ter feito isso comigo — falou entre dentes.
Eu virei de uma vez, arrancando meu braço da mão dele.
— Do que eu me arrependo — sussurrei perto do seu rosto — é de um dia ter confiado em você.
Deixei ele parado ali, roxo de raiva, enquanto eu saía do café. O ar frio bateu no meu rosto e ajudou a aliviar um pouco da vontade que eu ainda tinha de voltar lá e acabar aquela conversa com um soco.
Mas não valia a pena. Klaus nunca valeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....