Quarta-feira.
Tentei focar no trabalho, juro que tentei… mas minha cabeça só sabia voltar pra Lorena. Desde que voltou ao escritório, algo nela estava… diferente. Mais leve, mais viva. E cada vez que eu via aquele sorriso tímido… eu tinha que me lembrar de respirar.
Queria falar com ela antes de viajar, abrir o jogo, pelo menos um pouco.
Mostrar que, se ela deixasse, eu entraria na sua vida devagar, com cuidado, respeitando o seu tempo, mas firme o suficiente pra que ela soubesse que não estava sozinha.
Mas isso ia ficar pra quando eu voltasse, seria melhor, assim, conseguiria organizar tudo na cabeça e encontrar a forma certa de iniciar essa conversa.
Levantei da mesa, decidido a pegar um café, quando parei no corredor.
Lá na copa, Lorena estava rindo com o Gael.
Meu peito deu uma pontada meio idiota e percebi na hora que era ciúme, daquele bem besta. Mas respirei e fui até lá.
Quando me aproximei, os dois olharam e Lorena sorriu.
Pronto. A porra do meu coração esqueceu como funcionava por uns segundos.
— E aí, o que vocês tão aprontando? — perguntei, pegando um copo.
Gael soltou um suspiro dramático, jogando a cabeça pra trás.
— Tô contando pra Lorena o caos que virou minha vida na faculdade.
— Mais um drama para o seu currículo? — provoquei.
— Você não tá entendendo, Rafael. — Ele ergueu o dedo, apontando na minha direção. — Ontem uma aluna foi se declarar pra mim e eu fugi. FUI EMBORA. CORRENDO!
Eu ri só pela forma indignada que ele falou.
— E por quê você fugiu? A menina era tão estranha assim?
Gael fez uma careta tão feia que até a Lorena segurou o riso.
— Estranha? Cara, ela é surtada. Já deixou cabelo dentro da minha mochila. Cabelo! — ele repetiu, escandalizado. — Insistiu pra eu sair com ela. E na única vez que eu fui, ela gritou com uma menina que só encostou no meu ombro quando a gente passou pela porta.
Abri um sorriso largo.
— Ah, essa é das loucas mesmo.
— Exatamente! — Ele apontou de novo pra mim como se eu tivesse comprovado uma tese científica. — E ainda me chamou de frouxo quando eu disse que não queria nada. Falou que eu ia acabar sozinho porque não ia encontrar outra mulher melhor que ela.
Lorena começou a rir de verdade com a mão na boca, tentando se recompor. Eu também não aguentei.
Gael continuou, revoltado:
— Pelo amor de Deus, Rafael… eu dobro a esquina e encontro uma mulher melhor que ela!
Lorena riu mais alto dessa vez. E eu ri só de ver ela rindo, em como o seu rosto se iluminava tudo.
— Conversa direito com a menina — falei, ainda segurando o riso. — Vai que ela só é… intensa.
Gael me encarou como se eu fosse maluco.
— Já tentei, cara e só piorou. Ela achou que eu estava tentando “me proteger do sentimento que eu sentia por ela”.
Eu perdi o ar de tanto rir. Lorena também, ela estava inclinada pra frente, rindo com gosto, os olhos brilhando.
A gente se olhou no meio do riso, e eu juro… o mundo deu uma desacelerada. Ela ainda estava sorrindo, aquele sorriso que fazia meu peito doer de um jeito bom.
E então Gael soltou outro suspiro dramático:
— Eu vou enlouquecer, de verdade.
Isso trouxe a gente de volta à realidade.
Mas aquele olhar… aquele pequeno momento de silêncio entre nós… Eu levei comigo.
E fiquei ainda mais certo de que quando voltasse da Alemanha, nada no mundo ia me impedir de falar tudo que eu precisava dizer a ela.
***
Cheguei alguns minutos antes no restaurante, como sempre. Gosto de escolher a mesa, garantir que o lugar seja tranquilo… mas, na real, naquele dia eu estava só nervoso.
Nervoso pra ver a Lorena e quando ela entrou, eu perdi o ar por uns segundos. Literalmente.
O vestido preto abraçava o seu corpo de um jeito elegante, o decote cruzado destacava o pescoço delicado, e o cabelo solto caía sobre os ombros. Ela segurava uma clutch clara na mão, e quando me viu, sorriu pequeno… daquele jeito que me desmontava inteiro.
Suspirei, sem conseguir disfarçar.
— Você está… — tentei dizer qualquer coisa que não parecesse idiota — …maravilhosa.
Ela riu baixinho, ajeitando a alça do vestido.
— Obrigada. Você também está bonito.
Eu quase sorri feito um adolescente.
A mesa que eu tinha reservado ficava numa área mais isolada do restaurante, com pequenas divisórias de madeira e luz baixa. Assim que sentamos, o celular dela vibrou e o meu também. Era o cliente.
Eu atendi primeiro. Do outro lado, o cara avisou que não ia conseguir ir, pois surgiu uma emergência familiar. Agradeceu e remarcou para a semana seguinte.
Quando desliguei, Lorena também guardava o celular.
— Acho que fomos dispensados, a assistente dele me ligou e acredito que foi pra falar a mesma coisa para você — ela disse, dando de ombros.
— Bem, ainda podemos aproveitar o jantar. — Falei com naturalidade, mesmo sentindo o coração bater mais rápido. — A não ser que você queira ir embora.
— Não. — Ela sorriu. — Já me arrumei toda pra sair de casa. Vou ficar.
Meu peito aqueceu de um jeito perigoso.
A garçonete veio, anotou nossos pedidos, e a conversa começou leve… e Lorena parecia mais solta do que nos últimos dias. E eu? Eu virei um palhaço, mas um palhaço consciente: qualquer coisa pra ouvir aquela risada dela.
— Não acredito que você realmente brigou com o segurança do aeroporto por causa de uma mala rosa — ela disse, cobrindo a boca com a mão pra não gargalhar alto.
— Aquilo não era “uma mala rosa”. Era a mala da Milena e, tecnicamente, eu só discuti. Não briguei. Brigar seria feio.
Ela inclinou a cabeça.
Os olhos dela brilharam na hora.
— Ela é — Lorena respondeu, abrindo um sorriso bem verdadeiro que só a filha dela trazia. — A Alana é… meu melhor pedacinho. Ela gosta muito de esportes e está fazendo jiu-jitsu agora.
— Isso é incrível, imagino que ela seja muito boa.
Os olhos dela encheram de orgulho.
— Sim, Alana se esforça muito em tudo o que faz… ela também faz natação. — Lorena ajeitou uma mecha do cabelo atrás da orelha. — A professora disse que ela tem um jeito natural com a água… Eu fico tão feliz. Quero que ela cresça confiante, sabe? Forte.
Eu só conseguia olhar.
Lorena ficou um pouco sem graça com o silêncio.
— O que foi?
— Nada — respondi, sincero. — É só que… quando fala dela, parece que ilumina tudo perto de você.
Ela corou. De novo.
E eu me apaixonei, um pouco mais.
Quando o jantar acabou, ficamos um momento em silêncio antes de nos levantar. A divisória da mesa fazia parecer que o resto do mundo tinha sumido. Só nós dois ali, numa bolha que eu nunca quis estourar.
Eu me levantei primeiro e puxei a cadeira dela.
— Obrigada — ela disse, ainda meio corada.
Começamos a andar lado a lado até a saída. E, por alguns passos, nossos braços se tocaram, nada demais, mas suficiente pra arrepiar minha pele inteira.
Eu queria beijá-la.
Queria puxá-la pela cintura.
Queria falar tudo.
Mas amanhã eu viajava e precisava esperar o momento certo.
— Foi uma boa noite.
Ela assentiu, olhando pra mim com aquele brilho suave nos olhos.
— Foi sim, Rafael.
Se dependesse de mim, eu congelava aquele instante pra sempre.
--------------------
Gente, nem vou entrar no mérito do que rolou nesses dias que fiquei sem postar por aqui… só quero pedir desculpas mesmo pela ausência. 🥺
Mas estou de volta e, para compensar, vou mandar os capítulos um atrás do outro para vocês! ❤️
Obrigada por não desistirem da história!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....