Ela parou a poucos passos de mim e deu um sorriso sem graça.
— Essa foi uma surpresa... — disse, meio sem jeito, ajeitando uma mecha solta de cabelo.
E eu juro, por um momento, esqueci até o que ia falar.
Lorena estava diferente. Nada de roupas formais, salto ou maquiagem. Ela usava um vestido leve, na altura dos joelhos, com pequenas flores estampadas. Sandália simples. O cabelo preso num coque bagunçado, e mesmo assim... linda. Linda de um jeito natural, que fazia meu peito apertar.
Tentei não encarar por tempo demais, mas falhei miseravelmente.
— Eu... — pigarreei, tentando recuperar o foco. — Eu fiquei preocupado e quis ver como você está.
Ela me olhou ainda um pouco surpresa.
— Entra, Rafael. — Ela fez um gesto com a cabeça e abriu o portão. — Já que veio até aqui, pelo menos aceita um café.
Segui atrás, sentindo o cheiro leve de flores que parecia vir dela. A casa era simples, mas tudo ali tinha um toque aconchegante. Móveis antigos, cortinas limpas, e um ar de lar que fazia falta nos apartamentos frios da cidade.
Sentei no sofá, tentando parecer à vontade, mas a verdade é que eu estava mais nervoso do que em qualquer reunião importante da empresa. Lorena ficou ali, de pé, parecendo meio sem saber o que fazer. Foi quando notei uma cicatriz fina em seu antebraço.
Antes que eu pudesse perguntar, ela percebeu meu olhar e forçou um sorriso.
— Vou pegar o café. — disse rápido, como se quisesse mudar de assunto.
— Espera — falei, estendendo a sacola que tinha trazido. — Trouxe bolo e suco.
Ela olhou surpresa, arqueando uma sobrancelha.
— Mesmo?
— Sim. — dei um pequeno sorriso. — Achei que podia servir pra acompanhar o café.
— Obrigada — respondeu, pegando a sacola com cuidado. — Vai servir sim.
Ela saiu em direção à cozinha, e eu fiquei sozinho na sala, olhando em volta. O lugar tinha cheiro de lar, de calma. Fotos antigas nas paredes, cortinas claras, o barulho distante de galinhas lá fora. Tudo aquilo parecia um mundo à parte do ritmo caótico da empresa, e por um instante me perguntei como seria viver assim, perto dela.
Respirei fundo. Eu parecia um adolescente nervoso, ensaiando o que dizer pra não parecer um idiota. “Fala que veio só pra saber se ela tá bem. Simples. Natural.”
Mas natural era justamente o que eu não conseguia ser quando estava perto dela.
Uns minutos depois, ela voltou com uma bandeja. O bolo já cortado, dois copos com suco e um cheiro bom de café recém-passado. Colocou tudo sobre a mesinha e se sentou no outro sofá, de frente pra mim.
— Realmente foi uma surpresa te ver aqui. — disse, cruzando as pernas com cuidado. — Eu nem sabia que você sabia onde meus pais moravam.
— Pra ser sincero, eu também não sabia. — cocei a nuca, desviando o olhar. — A Carol quem me falou...
Ela ficou em silêncio por um momento, só me observando, e depois assentiu, levando o copo de suco aos lábios.
— Entendi.
— Eu fiquei preocupado — admiti. — Queria saber como você estava.
Ela se mexeu um pouco, como se buscasse uma posição confortável.
— Eu tô bem. — respondeu, simples.
Assenti, tentando acreditar nas palavras dela, mas havia algo nos olhos de Lorena que dizia o contrário. E foi aí que percebi, quando ela tentou afastar uma mecha do cabelo, que ela estava sem aliança.
Meu coração deu um salto estranho, daqueles que você tenta disfarçar, mas o corpo não obedece. Ela percebeu o que eu olhava e baixou a mão, um pouco sem graça.
— Você... se separou? — perguntei baixo.
Ela respirou fundo antes de responder.
— Não formalmente, mas... tô pensando nisso.
Assenti devagar, tentando esconder o alívio que me atravessou de repente. Nossos olhares se encontraram e ficaram ali, presos um no outro por alguns segundos que pareceram longos demais. O ar entre nós pesou, e ela foi quem quebrou o clima, limpando a garganta.
— E a empresa? Como estão as coisas?
— Indo bem — respondi. — Mas... sinto falta de você lá. Desde que entrou, deixou minha vida bem mais fácil.
Ela sorriu. Aquele sorriso. E, juro, foi impossível não retribuir.
— Espero ter meu emprego de volta quando eu retornar — disse, brincando de leve.
— Claro que vai — garanti. — Não precisa se preocupar com isso.
Ela assentiu, respirando fundo, e o silêncio se instalou de novo. Um silêncio diferente, cheio de coisas que nenhum dos dois teve coragem de dizer.
O silêncio estava começando a me enlouquecer, então fui eu quem quebrou.
— E seus pais e a Alana? — perguntei, tentando disfarçar o nervosismo que crescia dentro de mim.
— Mas ainda tá cedo. — disse, quase num sussurro.
Por um segundo, achei que ela queria que eu ficasse. Mas logo desviou o olhar.
— Mas imagino que tenha muita coisa pra resolver na empresa.
Fiquei ali, parado, observando-a. O sol batia de lado e deixava o rosto dela ainda mais bonito. Dei um passo à frente, sem pensar muito, e antes que ela recuasse, toquei de leve o seu braço, bem onde vi a cicatriz.
— Esse assalto... — murmurei. — Já pegaram os criminosos?
Ela desviou o olhar, respirando fundo.
— Rafael... não precisa fazer isso. Todo mundo já sabe o que aconteceu.
Fiquei em silêncio por um instante. Ela nunca tinha admitido nada, mas agora... a forma como falou, o peso na voz, confirmava o que eu temia.
Toquei de novo a cicatriz, bem de leve. Senti os pelos do seu braço arrepiarem e os meus também. Ela levantou o rosto, e nossos olhos se encontraram.
— Você é uma mulher incrível, Lorena. — falei baixo. — E merece ser tratada como uma rainha. O homem que te tiver... precisa entender a sorte que tem.
Ela engoliu em seco, os lábios entreabertos. Eu continuei, quase num sussurro.
— Você é forte. Tomou a decisão certa e eu... eu sempre vou estar aqui, pra te ajudar no que for preciso.
Deu um passo mais perto e minha mão foi até o seu rosto, afastando uma mecha de cabelo que caía sobre a bochecha.
— Você me conquistou de um jeito que eu nem sei explicar. — confessei. — E eu me preocupo demais com você e com a Alana. Faria qualquer coisa pra proteger vocês duas.
Ela respirou fundo e seus olhos se fecharam quando minha mão desceu pela bochecha, roçando a pele macia até tocar os seus lábios.
Meu coração parecia prestes a explodir.
Não pensei. Só deixei acontecer. Minha mão subiu até a sua nuca e, quando senti que ela não ia recuar, me inclinei devagar.
Nossos lábios se encontraram em um beijo leve e um choque me atravessou inteiro, como se o mundo tivesse parado.
Até que Thor começou a latir lá fora, e risadas de crianças ecoaram.
Nos afastamos rápido. Lorena olhou pra mim com os olhos arregalados, o peito subindo e descendo num ritmo acelerado. Eu dei um passo pra trás, tentando respirar, e foi bem na hora que a porta se abriu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....