No telefone, a mulher estava usando uma máscara, deixando à mostra apenas os olhos, e até mesmo esses estavam parcialmente cobertos por cabelos desgrenhados.
Desleixada!
Reinaldo franziu a testa, pensando consigo mesmo se uma mulher tão desleixada realmente seria capaz de cuidar bem de uma criança.
Dava até para entender por que havia deixado a filha de cinco anos sozinha em outro país.
“Mamãe, eu falei que você ia atender meu telefonema! Mamãe, eu achei meu papai!”
Priscila, mesmo cobrindo-se completamente, sentiu-se ainda mais apreensiva ao saber que do outro lado estava Reinaldo. Ela forçou-se a manter a calma e utilizou o modo de alteração de voz.
“Luzinha, você está bem? Como saiu sozinha do hospital? Nunca mais faça algo tão perigoso, por favor! Mamãe vai te visitar, sim! Obedeça direitinho ao Dr. Narciso, está bem?”
“Mamãe, eu não saí sem motivo, fui procurar o papai, e já encontrei! Você não vai me elogiar? Estou usando o celular do papai para te ligar, quer falar com ele?”
Luzinha então aproximou o telefone de Reinaldo.
O rosto anguloso de Reinaldo apareceu na chamada de vídeo.
“Senhora, a senhora é a mãe da Luzinha? Como mãe, como pode ser tão irresponsável? Deixou uma criança tão pequena sozinha em outro país! Ouvi do médico que já faz muito tempo que a senhora não vem visitá-la. Não me importa o que aconteceu entre a senhora e o pai dela, mas a criança é inocente, como pôde ser tão cruel?”
Reinaldo repreendeu Priscila em tom severo.
Priscila respondeu friamente: “Podemos conversar em particular?”
Reinaldo, instintivamente, colocou Luzinha no chão.
Priscila, mudando o tom de voz, disse: “Senhor, a forma como trato minha filha não lhe diz respeito, e não devo explicações. Mas agradeço por ter encontrado minha filha. Peço que a leve de volta ao hospital em segurança, obrigada. Se precisar de alguma recompensa, é só pedir.”
Luzinha ainda era tão pequena. Priscila só queria que, no futuro, a filha tivesse uma vida feliz.
Reinaldo cerrou os punhos.
Aquele comportamento da mulher era inadmissível; por mais mágoa que tivesse de Vicente, não justificava abandonar a filha.
Reinaldo ligou para Vicente.
“Vicente, como pai, como pôde deixar uma criança tão pequena sair sozinha do hospital? E sua ex-namorada, Luciana, também foi totalmente irresponsável! É melhor correr para o aeroporto e buscar sua filha imediatamente! Ou vá ao hospital cuidar dela!”
Reinaldo repreendeu Vicente, que ficou completamente confuso.
Como ele ainda tinha coragem de dizer aquilo? Claramente Luzinha era responsabilidade dele!

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