“Suas palavras doces não me enganam. Eu não sou o Reinaldo, muito menos uma tola inexperiente que seria iludida pelas suas poucas palavras. Digo-lhe: se ousar desobedecer-me novamente, seu irmão, seus avós, as vidas desses três inocentes serão o preço da sua desobediência!”
Priscila observou Maíra atentamente.
Quando Maíra ameaçou aquelas três vidas inocentes, seus olhos nem sequer piscaram.
Ela não sabia pelo que Maíra havia passado.
Mas alguém tão cruel assim seria capaz de qualquer coisa.
“Sra. Machado, juro que tudo o que digo é verdade. Se não acredita em mim, pode me mandar para o exterior. Depois disso, nunca mais aparecerei diante do Reinaldo.”
Para Priscila, esse seria o melhor resultado.
E se ainda pudesse receber algum dinheiro de Maíra, seria ainda melhor.
Assim, ela poderia pagar o que devia à amiga e nunca mais teria qualquer ligação com as pessoas e as coisas daquela cidade.
“Quer sair do país? Posso considerar, mas antes disso, você deve resolver completamente suas questões com o Reinaldo! Não quero ver o Reinaldo correndo atrás de você pelo mundo!”
Maíra lançou um olhar severo para Priscila e, apontando para o rosto dela, disse: “Seu irmão realmente é esforçado, sempre tirando o primeiro lugar no ensino médio. Mas é uma pena pelos seus avós paternos; para que ele possa estudar, todos os dias recolhem material reciclável nas ruas e vendem para ajudá-lo. Se você se comportar, posso lhe dar algum dinheiro para ajudar em casa, mas se não obedecer, você sabe muito bem qual será a consequência!”
“Miau.” De repente, um gato entrou pulando de algum lugar e caiu justamente no colo de Maíra.
Maíra agarrou o gato de imediato e o lançou violentamente ao chão.
Num instante, o animal ficou em carne viva.
“Viu só? Esse é o preço da desobediência!”
Priscila ficou chocada.
Já ouvira falar dos métodos de Maíra antes, todos a descreviam como implacável e cruel.
Ao se sentarem no Rolls Royce estacionado diante da mansão, Celso perguntou: “Senhora, por que decidiu que Priscila deve morar no Bosque dos Ipês da família Ferreira? Não teme que ela descubra o que fizemos?”
“Deixá-la na casa antiga é até melhor; assim posso controlar ainda mais os movimentos de Reinaldo. Nosso plano não pode falhar, precisamos ter um ponto fraco dele em nossas mãos – talvez Priscila seja justamente esse ponto.”
“A senhora é realmente brilhante!”
Celso admirava Maíra, que sempre dava passos que serviam a mais de um propósito.
Priscila ficou parada dentro da mansão de Reinaldo, com a pasta de documentos que Maíra lhe entregara ainda nas mãos.
Ela respirou fundo.
Deveria olhar aquelas fotos?
Só de pensar na noiva de Reinaldo, seu coração ainda doía.

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