Cão que morde cão, só sobra pelo na boca.
Já que o divórcio com Sérgio Rocha estava oficializado, Júlia Nascimento achou melhor deixar que eles mesmos se devorassem. Que se rasgassem uns aos outros.
Júlia observou Vânia Batista se afastar, sentindo-se de ótimo humor.
Afinal, sua tia — aquela segunda esposa do tio — era uma grande amiga de Mariana Dourado! Se não fosse por essa amizade, Luara Nascimento jamais teria se envolvido com Sérgio Rocha.
Na tarde anterior, Júlia e Sérgio haviam assinado os papéis do divórcio. Sérgio jurava que não contaria nada para a família Nascimento, mas bastou uma noite para a notícia chegar aos ouvidos de todos.
Pensando bem... Sérgio não era inocente nessa história.
Ele foi frio; ela também não precisava ser cordial.
Enquanto isso, na sede do Grupo Rocha, Sérgio Rocha conversava com um dos acionistas em sua sala.
O aroma de um café especial recém-passado perfumava o ambiente, servido sobre a mesa de centro.
Após algumas palavras de cortesia entre tio e sobrinho, o telefone de Sérgio começou a tocar.
Era a segunda vez em dois dias que Júlia ligava. Por um momento, Sérgio quase esqueceu que já estavam divorciados.
— Só um instante, é minha esposa no telefone. — disse ele, saindo da sala com o celular.
O interlocutor apenas assentiu, sorrindo.
Assim que atendeu, a voz fria de Júlia soou:
— Vânia Batista veio me procurar.
— Ela queria algo com você?
— Veio me parabenizar pelo divórcio. — No carro, Luara Nascimento segurava o telefone, o rosto tenso, a expressão sombria.
— Como ela ficou sabendo...? — Sérgio se interrompeu. Era óbvio: alguém tinha contado.
Além dos envolvidos, só a família Rocha sabia do divórcio.

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