Do hospital até a Vila Imperial onde moravam, foram trinta minutos. Os dois fizeram o trajeto em silêncio, cada um perdido nos próprios pensamentos.
Júlia oscilava entre duvidar e escolher acreditar em Arthur.-
Ele tinha se explicado, disse que era uma amiga.
Ela tentou procurar na mente o círculo de amigos dele. Ele tinha tão poucos amigos que cabiam numa mão só, e mesmo assim, não havia nenhuma mulher entre eles...
Mas a explicação dele há pouco tinha sido curta e sem tentar esconder nada. Ele foi bem claro de que a mulher estava grávida e que aquilo tinha acontecido porque ela tinha caído.
Ela se reconfortou mentalmente, pensando que provavelmente não era o que estava imaginando...
Ao chegar em casa, Arthur subiu direto para tomar banho e se trocar.
Dona Zélia, ao vê-lo cheio de sangue, não pôde deixar de perguntar: — Senhora, o patrão se machucou?
Júlia explicou: — Não foi ele, foi uma... amiga dele.
A palavra "amiga" pareceu ter sido dita para Dona Zélia ouvir, mas também para si mesma.
Arthur desceu de roupa trocada e almoçou com ela.
Durante a refeição inteira, Júlia correu para o banheiro para vomitar três vezes.
Na terceira vez, ele também perdeu o apetite. Levantou-se da mesa e disse para ela, que acabara de sair do banheiro: — Vou para a empresa. Tenho um compromisso à noite, talvez eu chegue tarde. Não me espere para jantar.
— Tá bom.
Ele lançou um olhar para o rosto dela, que estava pálido como papel, e a lembrou: — Lembre-se de tomar o remédio depois de comer.
Ela abriu um leve sorriso para ele: — Eu sei.

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