No fim, aquele pedido de casamento não representou apenas a oportunidade de me casar com o homem da minha vida. Também foi a chance de me livrar daquela casa... e da minha própria família.
Na primeira noite em que Oliver transou comigo, uma pequena esperança surgiu dentro de mim. Porém, desfez-se na manhã seguinte, quando ele acordou, pediu desculpas e disse que tudo não passou de um erro.
Eu sabia que o divórcio era apenas uma questão de tempo. Ainda assim, amava-o desesperadamente. Não queria sair daquele casamento sem nada, ouvir um simples adeus e carregar a certeza de que nunca mais o veria, porque sabia que ele jamais me procuraria depois que eu partisse.
Então, em meio ao desespero, tive a pior ideia da minha vida: engravidar sem conversar com ele a respeito. Eu sabia que, se contasse sobre meu desejo, Oliver diria não.
Eu não sabia exatamente o que passou pela minha cabeça quando tomei aquela decisão. Não tinha certeza se queria ter filhos para nunca mais ficar sozinha, porque desejava ter filhos dele ou porque simplesmente acreditava que uma criança poderia mantê-lo preso a mim e mudar alguma coisa entre nós.
Não engravidei naquela noite por sorte. Eu havia acompanhado meu período fértil. Sabia que as chances não eram tão grandes, mas existia uma possibilidade real.
Então, fiz o que jamais deveria ter feito. E, daquela atitude, nasceram não apenas um, mas dois bebês. Oliver permaneceu comigo, exatamente como eu desejava. No entanto, passou não apenas a me desprezar, mas a me odiar. Aos poucos, decidiu me tolerar. E acredito que, conforme as crianças cresceram, o ódio dele diminuiu.
Oliver nunca me perdoou. E eu também nunca consegui me perdoar.
Durante muito tempo, convenci-me de que meu erro justificava o fato de ele me ignorar e me abandonar emocionalmente. Com o passar dos anos, porém, compreendi que havia feito com Oliver exatamente o que tentaram fazer comigo no passado.
A partir dessa constatação, a culpa passou a me perseguir ainda mais. Eu repetia para mim mesma que Zoe e Maicon estavam ali e que jamais me arrependeria deles. Mas aquela era apenas uma desculpa esfarrapada para tentar aliviar o peso do que fiz.
Durante sete anos de casamento, Oliver nunca me beijou. No entanto, depois do divórcio, decidiu que aquele era o momento. Eu sabia que não se tratava de amor. Era orgulho ferido. Era a constatação de que a mulher que o amou e venerou durante quinze anos já não estava disponível, implorando por sua atenção e seu afeto.
Eu nunca disse a Oliver que o amava, da mesma forma que ele nunca disse que me odiava. Jamais precisamos usar palavras para expressar aquilo que ambos já sabíamos.
Nunca nos alteramos um com o outro. Mesmo quando ficou furioso comigo, Oliver me feriu com palavras, mas sempre de forma calma.
Eu nunca fui uma pessoa comunicativa. Falava pouco e tentava não chamar atenção. Ao lado de Oliver, calei-me ainda mais. Aos poucos, tornei-me invisível. Não porque ele me obrigou a ser assim, mas porque eu não consegui evitar.
Meu passado havia sido doloroso e sombrio. Meu presente era incerto. E meu futuro já tinha sido decidido pelo destino.
Se eu não tivesse Zoe e Maicon, pouco me importaria morrer ou continuar vivendo. Não faria diferença alguma para mim... tampouco para as pessoas que conviviam comigo.

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