Ela não contestou dessa vez. Virou as costas e foi embora. Entrei no prédio. O porteiro não era o mesmo que subornei da outra vez. Ou seja, eu não poderia acessar o apartamento de Natália sem ser anunciado. E aquilo me impedia de flagrar Jaqueline e Adriel.
Eu não podia admitir aquele filho da puta perto dos meus filhos. Nunca.
Assim que cheguei ao corredor, vi Maicon e Zoe esperando diante da porta do apartamento. Quando me viram, os dois saíram correndo em minha direção. Ergui ambos de uma só vez, enquanto gargalhavam. Eles adoravam aquele colo duplo.
— O papai é forte. — Zoe me abraçou.
Zoe sempre dizia aquilo. Mal sabia que estava cada vez mais difícil manter os dois em meus braços, pois começam a ficar bem pesados. Especialmente ela.
Jaqueline estava parada à porta, segurando duas mochilas, uma para Zoe e outra para Maicon. Vestia uma saia na altura dos joelhos e uma camisa branca com os primeiros botões abertos, deixando parte do colo à mostra. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça. E usava... batom.
Meneei a cabeça, atordoado.
— O que você acha disso, papai? — Zoe perguntou, batendo em meu ombro.
— Acho que... sim... o papai é o mais forte — brinquei, desviando o olhar de Jaqueline.
Zoe arqueou uma sobrancelha:
— Eu perguntei o que você acha de tomarmos sorvete.
— Ah... sim, sim... acho uma ótima ideia.
Coloquei Zoe e Maicon no chão. Jaqueline me entregou as mochilas:
— Eles têm tudo de que precisam na sua casa...
“Sua casa”?
— Aqui tem o suco que Maicon gosta. Está refrigerado na mochila. Como a senhora Hills não está mais trabalhando na mansão, acredito que ninguém conseguirá fazer do jeito que ele gosta.
Assenti.
— Zoe precisa de roupas extras. Tem uma muda na mochila. Ela pode destruir completamente o que está usando antes mesmo de chegar em casa.
— Eu... conheço os meus filhos.
— Sobre o suco... — Ela pensou durante alguns segundos antes de continuar — Eu gostaria de ensinar você a fazer.
Arqueei uma sobrancelha, confuso.
— Ou, se preferir... posso ensinar Brianna.
— Não! Eu quero aprender.
— É importante para Maicon que seja sempre o mesmo sabor. E não pode faltar nunca.
— Marquei o médico para ele.
— Ótimo. Depois, mande pelo celular o dia e o horário.
— Aonde você vai?
Ela franziu a testa:
— Não é da sua conta.
— Isso não é roupa de...
— De uma mulher usar? Desde quando você se importa com o que eu visto ou deixo de vestir?
— Mamãe está linda, não é mesmo, papai? — Zoe sorriu e abraçou a mãe.
— Sim... ela...
— Espero por eles amanhã, no mesmo horário — Jaqueline não me deixou concluir. — Ligarei ao meio-dia, no fim da tarde e à noite, por chamada de vídeo. E... você já sabe... caso eles não fiquem bem, deverá trazê-los de volta.
— Tudo bem.
— Promete, Oliver? — Ela mordeu o lábio, fazendo uma pausa. — Promete que, se eles pedirem por mim, você me ligará?

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