— O que aconteceu com o seu? — Cirdan perguntou.
— Eu... bati o carro — ele respondeu, abaixando a cabeça.
— Bateu o carro? — Dulce Marta questionou, confusa.
— Existe alguma coisa em que você não bateu nas últimas horas, Oliver? — O pai o encarou.
— A cabeça — ele respondeu. — E seria melhor bater a cabeça e perder a memória... porque tudo isso parece um pesadelo.
Cirdan sorriu, retirou a chave do bolso e a colocou na mão do filho:
— Leve Jack para casa.
— Realmente não precisa — contestei.
— Você acha correto pegar um Uber às duas horas da manhã com duas crianças, Jaqueline? — Oliver me encarou.
Não, não era correto. Tampouco seguro. Eu preferia que Cirdan e Dulce Marta me levassem para casa. Mas sabia que não adiantaria argumentar.
Oliver e eu permanecemos em silêncio durante todo o trajeto. Quando chegamos à frente do prédio de Natália, ele pegou Zoe, que era mais pesada, e me deixou carregar Maicon.
Subimos em silêncio. Acho que já não existia nada a ser dito.
Abri a porta e, quando percebi, ele entrou atrás de mim sem pedir licença.
— Você fica aqui — avisei. — Vou colocar Maicon na cama e logo volto para buscar Zoe.
— Quero ver onde os meus filhos estão dormindo.
— Eles estão seguros.
— Eles têm uma casa.
— Você dá uma casa a eles. Eu ofereço um lar.
— Eu levarei Zoe até a cama, Jaqueline. E não existe nada que você possa fazer para me impedir.
Respirei fundo. Já não tinha forças para continuar lutando. Estava cansada demais.
Assim que cheguei ao quarto, acendi a luz e coloquei Maicon na cama. Oliver acomodou Zoe ao lado dele. Quando os dois ficaram devidamente confortáveis, ele me encarou:
— Uma única cama para os dois? Vai me dizer que você também divide o colchão com eles?
— Sim — confirmei. — Exatamente isso.
— Está submetendo meus filhos a dormir numa única cama quando eu ofereço quartos individuais, confortáveis e com tudo de que precisam.
Eu ri, com desdém:

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