Levantei-me e caminhei até a janela do escritório. Lá embaixo, carros e pessoas pareciam pequenos demais, insignificantes diante do tumulto que se formava dentro da minha cabeça. Minha visão ficou levemente turva e senti um mal estar como há muito não sentia.
Aquela empresa misteriosa não era apenas sobre perfumes. Tampouco era somente sobre cosméticos. Adriel tinha voltado. E estava declarando guerra. Uma guerra contra a Diamond, contra os Bianchi, contra mim.
E, pela primeira vez em muitos anos, aquela guerra tinha um sobrenome diferente do meu.
Saí da sala sem explicar nada. Brianna veio atrás de mim, fazendo inúmeras perguntas, mas eu mal conseguia ouvi-la. O sangue fervia dentro de mim e eu estava cego de raiva. E sabia exatamente onde encontraria as respostas para todas as minhas perguntas.
Adriel teria que me explicar por que estava me afrontando daquela maneira. Teria que dizer por que voltara escondido, usando outro sobrenome e construindo uma empresa concorrente a poucos quilômetros da minha.
E, se ele acreditava que poderia me derrubar, estava muito enganado. Adriel não tinha poder suficiente para isso. Eu o destruiria em poucos dias.
Entrei no carro, e Brianna ocupou o banco do passageiro antes que eu pudesse impedi-la.
— Oli, aonde você vai? — perguntou, prendendo o cinto às pressas. — Diga o que aconteceu!
Não consegui responder. Minhas mãos apertavam o volante com tanta força que chegava a doer.
A empresa, ainda em fase de finalização, não ficava longe da Diamond. Mais uma afronta.
Não bastava entrar no mesmo mercado que eu. Adriel precisava se instalar perto o suficiente para que eu soubesse de sua presença. Para que todos comparassem as duas empresas, para que a imprensa transformasse aquela disputa em um espetáculo.
Estacionei diante do edifício e desci do carro antes mesmo que Brianna terminasse de falar. Atravessei a entrada e passei pela porta giratória. Dois seguranças se aproximaram assim que perceberam que eu não pretendia parar na recepção.
— Senhor, precisa se identificar.
Continuei andando.
— Senhor, esta área ainda não está aberta ao público.
Quando tentaram impedir meu acesso, afastei os dois do caminho e segui diretamente para os elevadores.
— Oli! — Brianna chamou atrás de mim. — Você perdeu a cabeça?
Não precisei perguntar onde ficava a sala do filho da puta. CEOs como nós sempre ocupavam o último andar. Era uma forma silenciosa de lembrar a todos que estávamos acima deles.
Pressionei o botão e esperei, consumido pela impaciência. Os seguranças ainda nos observavam, provavelmente avaliando se deveriam me retirar à força ou chamar a polícia. Talvez meu rosto tivesse sido reconhecido. Ou soubessem que arrastar Oliver Bianchi para fora daquele prédio renderia uma notícia antes mesmo da inauguração da empresa.
Quando as portas do elevador se fecharam, Brianna tocou meu braço:
— Oli, acalme-se. Você pode ser detido. Não pode invadir uma empresa dessa maneira, sem autorização, ameaçando os seguranças.

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