— Jack... isso é maravilhoso!
— Eu ainda preciso passar por outros exames. O médico precisa avaliar se realmente tenho condições de entrar na fila e qual seria a urgência do meu caso. Mesmo que eu seja aceita, isso não significa que aparecerá um coração compatível a tempo.
— Mas existe uma possibilidade.
— Existe — confirmei, sorrindo e apertando as mãos dela. — Pela primeira vez, existe uma chance para mim.
Natália me abraçou com força:
— Você vai conseguir. Eu sabia que não era o fim. Sabia que você não podia simplesmente morrer e me deixar sozinha com dois pestinhas, um ex-marido arrependido e um namorado bonito demais para ser confiável.
Não consegui evitar a risada:
— Acredite, você não daria conta deles. Isso é uma coisa que só eu consigo fazer. — Suspirei. — Mas não quero criar falsas esperanças, Natália.
— Você não tem nada a perder, Jack. Crie todas as esperanças possíveis.
Olhei para ela e respirei fundo. Pela primeira vez desde que recebi o diagnóstico, a morte não parecia ser a única coisa esperando por mim no final.
— Eu vou tentar — garanti. — Enquanto existir uma possibilidade, por menor que seja... farei tudo o que puder para sobreviver.
— Então prepare-se, Jack. Porque agora eu também farei tudo o que puder. E você sabe o quanto sou insuportável quando decido alguma coisa.
— Infelizmente, sei.
— Ótimo. A morte não faz ideia da confusão que arrumou ao tentar levar a minha melhor amiga.
Natália segurou minha mão e voltamos a caminhar pelo corredor. Foi quando vi, através do vidro, Oliver e uma mulher numa sala privada. Parei imediatamente, de maneira involuntária.
Natália acompanhou meu olhar:
— Isso só pode ser piada! O babaca com crise de identidade está te seguindo! — referiu-se a Oliver.

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