POV Jaqueline
Quando cheguei em casa, Zoe e Maicon já haviam voltado. Assim que me viram, correram na minha direção e me abraçaram. Senti-los junto de mim fazia tudo parecer pequeno demais e os problemas quase inexistentes. Era como se os braços dos meus filhos tivessem o poder de afastar, ainda que por alguns minutos, tudo o que me assustava.
— Dormimos na casa da vovó — Zoe contou.
— E o papai? — eu me vi perguntando e imediatamente me odiei por aquilo.
— Ele chegou de manhã. — Zoe piscou um dos olhos e sorriu, parecendo saber muito mais do que deveria.
Respirei fundo, tentando manter a calma. Aquele babaca foi atrás de mim, tentou destruir meu relacionamento e depois voltou para dormir com Brianna. Como Oliver conseguia ser tão hipócrita?
— Agora é hora de tomar banho para vocês irem à escola — avisei, tentando mudar de assunto.
Zoe pegou minha mão e puxou meu braço, impedindo que eu me afastasse:
— Você e o papai dormiram juntos?
Engasguei com a própria saliva e demorei alguns segundos para conseguir me recuperar.
— O que... você está dizendo? De onde tirou isso, Zoe?
Ela apenas sorriu e não disse mais nada. Eu quis questioná-la e fazer outras mil perguntas, mas lembrei que ela era apenas uma criança. Certamente achou que Oliver e eu passamos a noite juntos, já que ele chegou à casa de Cirdan e Dulce Marta pela manhã.
Eu deveria ter dito que não. Deveria ter explicado que o pai e a mãe dela não dormiram juntos e que aquilo provavelmente nunca aconteceria. Mas olhei para o relógio e achei cedo demais para destruir os sonhos da minha filha. Ao menos naquele dia.
Quando entrei no corredor, vi Maicon tocando delicadamente as pétalas de uma das rosas que Adriel havia me dado e que eu coloquei em um vaso.
Assim que me viu, ele sorriu e se afastou, como se tivesse sido pego fazendo alguma coisa que não deveria.
Zoe tocou uma das rosas e estreitou os olhos:
— Elas... ficaram brancas?
— Tomaram banho! — Maicon riu, deixando os dentinhos brancos e perfeitamente alinhados em evidência.
— Ficaram brancas porque tomaram banho? Como assim? — perguntei, sem compreender nada.
— Moto. — Maicon sorriu novamente, como se aquela única palavra explicasse tudo.
Zoe pegou a mão dele, e os dois piscaram um para o outro. Abri a boca para perguntar o que estava acontecendo quando Natália abriu a porta:
— Eu trouxe o almoço.
— Vamos lá. — Dei um beijo em cada um dos meus filhos. — Banho e escola.


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