— Não, Jack. — Dulce Marta levantou-se do sofá, deixando Zoe, adormecida, aconchegada nos braços de Cirdan. — Um temporal está se formando lá fora.
— Zoe e Maicon ficam — Cirdan disse, enfático, enquanto ajustava discretamente a posição da perna protética. — E você também.
Meneei a cabeça em sinal de negação:
— Não vou ficar, Cirdan.
Eles tinham razão. Era absurdo levar meus filhos embora quando uma tempestade estava prestes a cair. Sem contar que aquele era o dia de Oliver. Mesmo ele tendo ido à casa dos meus pais e dado uma surra no meu irmão... Zoe e Maicon estavam bem e seguros.
E, por algum motivo, ele havia deixado Brianna em casa... com chiclete grudado nos cabelos. Tive vontade de rir. Meus pestinhas eram inteligentes. E incríveis. Senti-me contemplada por eles não terem sido ruins somente com Adriel.
— Fique, Jack — Oliver pediu. — Não faz sentido você ir embora agora.
Respirei fundo e observei todos me encarando, esperando pela minha resposta. Cirdan e Dulce Marta eram importantes para mim. Eu os amava. Mas isso não significava que ainda fazia parte daquela família.
Por mais que eles não gostassem de Brianna, ela era a companheira de Oliver. Achei estranho chamá-la de companheira. Talvez devesse dizer namorada. Eu sequer sabia se estavam noivos... ou casados.
Mas aquilo pouco importava. O fato era que eu nem sequer carregava mais o sobrenome Bianchi. Ou seja, não pertencia àquele lugar. Meus filhos sempre pertenceriam e, não importava o que acontecesse, eu amaria os pais de Oliver para sempre. Mas dormir na casa deles parecia íntimo demais. Eu não fazia aquilo nem quando Oliver e eu éramos casados.
Preferi não responder a Oliver. O que não fazia sentido era ele realmente considerar a possibilidade de eu dormir ali.
Fui até Cirdan e dei um beijo demorado em Zoe. Depois me inclinei sobre o sofá, onde Maicon dormia esticado e beijei meu menino. Ele se remexeu devagar, mas continuou dormindo. Zoe deu um pequeno sobressalto nos braços do avô e também não acordou.
Meu coração ficava apertado por deixá-los. Mas eu sabia que era necessário nos acostumarmos àquela nova rotina.
Despedi-me de Cirdan e Dulce Marta, que ainda insistiram para que eu ficasse. Quando perceberam que não mudaria de ideia, acabaram aceitando.
Não me despedi de Oliver. Simplesmente virei as costas e atravessei a casa, seguindo em direção à saída.
Um novo trovão ecoou e parei, assustada. Oliver segurou meu braço, surpreendendo-me. Eu sequer havia percebido que ele estava atrás de mim:
— Não é seguro você ir embora, Borboletinha.
— Tudo bem que você está ficando louco, Oliver. Mas exijo que não me chame mais de borboleta.
Ele sorriu e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas acabou desistindo.
Até que fazia sentido ele me chamar de borboleta. Imaginei que fosse pelo fato de eu finalmente ter aberto as asas e voado para longe dele.
Tentei me virar novamente, mas Oliver não me deixou sair:
— Não seja inconsequente, Jack. Não é seguro sair com o tempo desse jeito.
Olhei para a mão dele segurando meu braço e me soltei com força:

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