Encerrei a ligação. Aquilo definitivamente não era flerte. Era apenas um ex-marido tentando atrapalhar a vida da ex-esposa porque aparentemente não tinha nada melhor para fazer.
Ele continuou ligando. E não desistiu. Na décima primeira chamada, atendi. Eu sabia que não poderia ignorar para sempre as ligações de Oliver, pois corria risco ser alguma coisa relacionada aos nossos filhos.
— Jack, eu...
— Você tem trinta segundos.
— Trinta segundos?
— Sim. Não quero perder meu tempo com você. Nem mesmo um minuto inteiro.
— Está bem, então serei breve. Niko me disse que o juiz já definiu as condições provisórias para a guarda das crianças. Acontece que... eu construí um lugar incrível para que eles pudessem ficar dentro da empresa... porque, sem aquilo, não conseguiria cumprir as condições que cabem a mim.
— Bem-feito.
Eu realmente não estava preocupada com a situação dele. Já possuía problemas suficientes para resolver e não acrescentaria os de Oliver à minha lista.
— Não achei justo, Jack.
— Qual parte você não achou justa?
— Eu tenho dinheiro, e isso me dá muito mais vantagem em relação a você.
Como Oliver conseguia ser daquele jeito? Quando aquele homem finalmente pararia de usar o dinheiro para me humilhar?
Senti uma dor forte no peito. Cada palavra que ele ainda usava para me ferir parecia mais dolorosa do que todas as anteriores.
— E foi justamente por isso que abri uma conta para você e depositei dinheiro suficiente para que compre uma casa para você e para as crianças.
Olhei para o visor do telefone, sem ter certeza de que realmente falava com ele. Mas o nome “Oliver” permanecia escrito na tela, então eu não havia atendido a pessoa errada. Aumentei o volume do aparelho, porque talvez não tivesse escutado direito.
— Jack... você ainda está aí?
— Não... eu não estou — respondi, com a voz quase inaudível.
— Cumpri apenas parte do que o juiz determinou, porque sei que criar praticamente um parque de diversões dentro da minha empresa não significa ficar com Zoe e Maicon da maneira correta. Mas, infelizmente, eu também preciso trabalhar.
Naquela parte, ele tinha razão.
— E sei que você ainda não comprou uma casa porque não possui dinheiro suficiente... porque, por orgulho, abriu mão dos seus direitos durante o divórcio.
— Não quero nada que venha de você.

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