Mas no segundo seguinte, Florença achou que estava pensando demais.
Por que Gleison ficaria bravo do nada?
Não tinha como ele saber que ela o enganara.
Enquanto pensava nisso, ouviu a voz fria do homem ao seu lado:
“Mentiu para mim.”
Florença: “!”
Como assim, como ele sabia?
“Eu... eu menti sobre o quê para você?”
Florença se esforçou ao máximo para controlar o medo, tentando soar o mais natural possível.
“O que você acha?”
“Sr. Albuquerque, nunca menti para o senhor, não sei por que está dizendo isso.”
Ela foi tão convincente, Gleison não deveria ter percebido nada, certo?
O homem do outro lado suspirou.
O suspiro pareceu roçar o ouvido dela, deixando transparecer um traço de resignação.
“Florença, se você não conseguir cuidar bem de si mesma, então vou ter que...”
Florença arregalou os olhos de leve.
O que ele faria com ela?
Como ele não continuou, o silêncio do outro lado se alongou.
Quando Florença estava prestes a falar, a voz dele voltou, cada palavra carregada de uma frieza sombria, digna do inferno: “Te manter presa onde eu possa ver.”
A voz lúgubre e gélida ecoou, Florença empalideceu, sentiu o sangue gelar no corpo inteiro.
Por alguma razão, naquele instante ela realmente acreditou que Gleison seria capaz de fazer isso.
Ela ficou apavorada, “Desculpe, Sr. Albuquerque, eu estava errada!”
“O que fez de errado?”
Aparentemente, o humor do homem melhorou, a voz já não era tão ameaçadora quanto antes, embora ainda impusesse pressão.
Florença quase chorou, de tão nervosa e ansiosa que estava, falou gaguejando, “Eu... eu não deveria ter dito que comi, na verdade não comi, eu menti para o senhor, eu menti mesmo.”
“Por que mentiu para mim?”
Florença respondeu sinceramente, “Tive medo de que ficasse bravo.”
Ela não se esquecera do que Gleison lhe dissera sobre a importância de comer direito, por isso achou que se dissesse que não havia comido, ele realmente ficaria zangado.
“Teve medo de mim?”
Florença: “...”
Será que ele só ouviu essas duas palavras?
“Tive medo de que ficasse bravo.” Ela enfatizou.
Isso era diferente de ter medo dele.
“Não precisa ter medo de mim.” O tom de Gleison suavizou bastante em relação ao de antes.
Florença estava à beira das lágrimas.
Acha que eu quero ter medo do senhor?
A culpa é toda dessa sua postura assustadora.

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