O hospital ficava lotado e Florença esperou na fila para se registrar; só conseguiu sair ao meio-dia, após tomar a vacina.
Ao sair, viu vendedores de frutas na rua e comprou, sem pensar muito, um saquinho de morangos grandes e bonitos.
Carregando os morangos, Florença voltou ao hospital, subiu pelo elevador, atravessou o corredor e chegou à porta do quarto onde Genoveva estava internada.
Genoveva gostava muito de morangos, então Florença aproveitou a visita para presenteá-la.
A porta do quarto não estava totalmente fechada, ficava entreaberta.
Florença olhou discretamente pela fresta e viu Genoveva encolhida na cabeceira da cama, abraçando os joelhos e olhando distraidamente pela janela.
Os olhos de Florença vasculharam o quarto; vendo que Genoveva estava sozinha, sentiu um pequeno alívio.
Ainda bem, Gleison não estava lá.
Florença levantou a mão, pronta para bater na porta—
“Florença?”
Aquela voz familiar, fria e distante, soou atrás dela, pronunciando seu nome.
Assustada, Florença se virou rapidamente.
“Sr. Albuquerque...”
Maldição.
Como ele conseguia aparecer de repente, feito um fantasma?
E ele não estava sozinho.
Havia também um jovem elegante, com roupas modernas.
Florença reconheceu de imediato: era o primo de Genoveva, Roberto Albuquerque.
Ao ver Florença pela primeira vez, Roberto ficou completamente surpreso.
O olhar dele percorreu Florença dos cabelos até o canto dos olhos e depois à boca, analisando-a de todos os ângulos; por fim, perguntou confuso a Gleison: “Mano, quem é essa garota diferente?”
Gleison também observou lentamente cada centímetro do rosto da garota com o olhar, e por um breve momento, seus olhos escuros pareceram brilhar, mas logo a expressão sumiu sem deixar vestígios.
Ele abriu levemente os lábios e falou, com voz calma: “Foi ela quem salvou Genoveva.”
Roberto logo se recompôs, aproximando-se animado: “Então você é a salvadora da Genoveva! Prazer, sou o primo dela, Roberto.”
“Prazer, Florença.”
“Você veio ver a Genoveva?” Roberto notou o que ela carregava nas mãos.
“Sim.” Florença assentiu. “Trouxe algumas frutas para ela.”
Gleison baixou os olhos e viu os braços frágeis da garota tentando carregar aquela sacola cheia de morangos; franziu levemente a testa, quase imperceptível.
“Deixe comigo, você pode entrar.” Ele pegou a sacola das mãos de Florença.
Roberto, ao lado, observou atentamente quando Gleison pegou a sacola e as mãos dos dois se tocaram, separando-se rapidamente como se tivessem levado um choque...
Ficou boquiaberto.
Meu Deus.
O irmão dele realmente tocou na mão de uma garota?
Gleison sempre manteve distância das pessoas, especialmente das mulheres; até conversas ele evitava, geralmente ficando de cara fechada.
Roberto esfregou os olhos.
Será que estava vendo coisas?
Do leito, Genoveva percebeu a entrada daquela garota com visual ousado e chamativo.
“Genoveva, essa é Florença, a pessoa que te ajudou no shopping naquele dia.” Gleison colocou os morangos sobre a mesa, falando de maneira concisa.

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