Florença bateu a porta com força; em seus olhos, a raiva e o desprezo que demonstrara no térreo desapareceram instantaneamente, dando lugar a um sorriso frio e profundamente irônico.
Após retornar, percebeu que os acontecimentos se desenrolaram exatamente como na vida anterior.
Na vida anterior, Alvito também lhe comprara este mesmo vestido.
O modelo e a cor, tudo era idêntico.
Depois de receber o vestido, ela não o abrira na frente de ninguém para ver. Naquele momento, sentira-se feliz apenas por ganhar um presente de Alvito, sem se importar com o que realmente recebera dele.
No entanto, ao experimentar o vestido em seu quarto, descobrira que ele estava completamente rasgado, impossível de usar.
Sentiu-se como se alguém tivesse jogado um balde de água fria em seu rosto, tomada por um sentimento de profunda decepção.
Desde que voltara para aquela casa, Alvito frequentemente a importunava, e ela, por instinto, achara que aquilo era só mais uma brincadeira dele — dar-lhe de propósito um vestido destruído para que experimentasse a frustração depois da alegria.
Mesmo assim, tentara reparar o vestido, afinal, era o primeiro “presente” que recebia de Alvito.
Porém, o vestido estava irremediavelmente destruído, e apesar de tentar de diversas maneiras, não conseguiu consertá-lo.
Depois disso, guardara o vestido no fundo da última gaveta do armário.
Quando finalmente começava a esquecer o ocorrido, o vestido reaparecera — desta vez, no lixo.
Alvito, ao ver o vestido jogado na lixeira, explodira de raiva, questionando-a em voz alta sobre o motivo de ela ter rasgado e jogado fora o presente que ele lhe dera.
Não fora ela quem colocara o vestido no lixo.
Dissera a Alvito que o vestido já estava rasgado desde o início.


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