Heloísa mal conseguia acreditar nos próprios olhos; através dos óculos de proteção, ela de fato viu aquele familiar par de olhos amendoados.
Então, a Yasmin era a Doutora Y!
As pupilas de Heloísa se contraíram abruptamente e ela estendeu a mão trêmula, querendo segurar a manga de Yasmin, mas foi incapaz de levantá-la devido ao efeito da anestesia.
— Yasmin... — Ela conseguiu murmurar com dificuldade, os olhos brilhando com lágrimas de choque e alegria, enquanto seu coração se acalmava instantaneamente.
Yasmin segurou levemente a mão da tia e sussurrou em seu ouvido:
— Tia, este é o nosso segredo. Agora, durma tranquila.
O anestesista ajustou a medicação no momento certo, e as pálpebras de Heloísa foram ficando cada vez mais pesadas.
No último instante antes de ser envolvida pela escuridão, seu interior estava incrivelmente em paz.
Dentro da sala de cirurgia, a lâmpada cirúrgica acendeu.
Yasmin posicionou-se no lugar da cirurgiã principal, e a sua aura mudou drasticamente.
— Iniciem a contagem do tempo. — Sua voz fria ecoou pela sala. — Preparem a craniotomia.
Na área de observação, os médicos prenderam a respiração em silêncio, e alguns até ligaram secretamente equipamentos de gravação.
Todos viram que o bisturi nas mãos de Yasmin era tão firme quanto uma rocha, traçando uma curva perfeita no couro cabeludo.
— Broca. — Ela estendeu a mão e a enfermeira instrumentista a entregou de imediato.
Acompanhado de um zumbido, uma pequena janela foi perfeitamente aberta no crânio.
Os movimentos de Yasmin eram fluidos, sem o menor sinal de hesitação.
Seus cortes eram rápidos, implacáveis e precisos, sem nenhuma demora.
— Meu Deus... — Um experiente neurocirurgião não conseguiu conter o sussurro. — Esse ângulo de incisão é tão engenhoso... tão arriscado...
— Pressão arterial!
— Pinça hemostática!
— Bisturi número oito!
A cirurgia de Heloísa já durava seis horas.
Yasmin estava banhada de suor, e o assistente atrás dela não parava de secá-la, mas seus olhos permaneciam focados, sérios, sem mostrar o menor relaxamento.
Os médicos que observavam estavam genuinamente admirados; sentiam-se extremamente honrados em poder ver a Doutora Y operando.
Aquilo seria motivo de orgulho para eles pelo resto de suas vidas.
— Sutura! — Finalmente haviam chegado ao último passo.
Normalmente, o cirurgião principal realizava a cirurgia, e no final, a sutura ficava a cargo do assistente.


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