Teodoro ficou parado na porta do quarto principal.
Em sua mente, ecoava sem cessar a frase dita por Thais para a colega no hospital: "Eles são casados".
Um incômodo pesado apertava seu peito, Teodoro virou-se e foi até o escritório fumar.
Um cigarro atrás do outro.
Só de madrugada, encontrou a chave da porta e entrou no quarto principal.
Acendeu o abajur da cabeceira e sentou-se na beira da cama. Não acordou Thais, cuidadosamente colocou uma pulseira de pedras preciosas cravejadas de brilhantes no pulso dela.
Com a mão, ajeitou alguns fios soltos do cabelo de Thais sobre a testa, e ficou ali, observando-a dormir.
Fixou o olhar em Thais durante muito tempo, em silêncio, até que finalmente levantou-se para tomar banho.
Pela manhã, Thais acordou nos braços de Teodoro.
Com um certo desdém, afastou-se dele e pegou o celular para ver as horas.
Já passava das oito. Era quinta-feira de novo e, para sua surpresa, Teodoro ainda não tinha ido para a empresa.
Pelo visto, ele havia voltado muito tarde na noite anterior, provavelmente para cuidar de Laura.
Quando Thais foi largar o celular, percebeu que havia uma pulseira nova em seu pulso esquerdo.
Reconheceu imediatamente: era uma peça leiloada na semana anterior, durante um evento beneficente.
Por um instante, a expressão de Thais ficou suspensa. Então, levou a mão para soltar o fecho da pulseira.
Teodoro, por trás, a envolveu em seus braços, impedindo que tirasse o presente.
Thais se debateu, mas Teodoro apenas apertou o abraço.
As costas dela encostavam no peito dele, entre ambos, só o fino tecido dos pijamas, permitindo sentir o calor um do outro.
Teodoro segurou as mãos de Thais, admirando a pulseira em seu pulso.
Sua voz rouca e sensual, ainda preguiçosa pelo sono, soou: "Naquela noite em que você ameaçou se machucar, fui ao leilão buscar isso para você. É única no mundo, uma peça exclusiva."
Duas palavras bastavam: adaptação forçada.
Teodoro escovou os dentes, lavou o rosto, depois tirou uma toalha descartável para Thais: "Hoje não vou para a empresa. Daqui a pouco vou com você ao mercado, precisamos comprar algumas coisas para casa."
Thais pegou sozinha uma toalha, virou-se e saiu: "Não preciso de nada. Se faltar algo pra você, compre você mesmo."
Mal deu dois passos, Teodoro a puxou pela cintura.
Virou-se e, num movimento rápido, colocou Thais sentada sobre a pia.
Teodoro afastou as pernas dela, prendendo seu corpo para impedir qualquer tentativa de fuga.
Olhou-a nos olhos, tão de perto, e disse: "Thais, olha bem pra nós agora. Ainda parecemos um casal de verdade?"
Thais não evitou o olhar ardente de Teodoro e respondeu: "Não é exatamente isso que você quer? Dentro de casa, tudo em ordem, lá fora, todas as opções disponíveis."
Nesse instante, o celular de Teodoro, deixado sobre a pia, começou a vibrar.

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