Hunter Knoefel
A felicidade que eu sentia era tão grande que mal cabia em mim. Meu filho nasceu saudável, lindo, forte… e minha esposa estava aparentemente bem. Era como se o mundo inteiro tivesse parado só para aquele momento existir.
Mas, por mais que eu me sentisse um homem realizado, um nome não saía da minha cabeça: Edward.
Estava com Wayne no escritório do hospital quando soube que o desgraçado havia se internado voluntariamente na ala psiquiátrica. Um golpe calculado. De bobo, ele não tem nada. Era óbvio que alegaria um surto para escapar da prisão. Cirurgião, membro de uma das famílias mais influentes de New Haven… claro que ele tentaria ludibriar a Justiça. Mas eu não permitiria.
— Você não acredita que ele tenha falado toda a verdade, não é possível, Wayne. — disse, com raiva acumulada na voz.
— Ele pode até ter maquiado os fatos — respondeu Wayne, pensativo —, mas ao menos trouxe Maitê para o hospital sã e salva. Isso é inegável.
— Ele ficou com ela por quase quatro horas! — soquei a mesa, sentindo o sangue ferver. — Sabe-se lá o que ele fez nesse tempo. O terror psicológico que deve ter causado que adiantou o parto dela em dez dias.
— Isso só vamos saber quando Maitê puder e quiser falar — ponderou Wayne, com cautela.
— Esse é o problema! Ela não falou nada. E eu não vou forçar. Não sei o tipo de trauma que ela pode estar carregando... Isso pode afetar até a amamentação, e o bebê pode acabar absorvendo o estresse dela. Mas alguma coisa temos que fazer. Temos que dar um jeito de enfiar aquele desgraçado na cadeia, nem que seja em um presídio psiquiátrico.
— Precisamos de provas, Hunter. Algo que comprove uma agressão. Talvez o Ted seja nossa chance... mas ele já declarou que não quer prestar queixa. Sem o depoimento da Maitê contando o que realmente aconteceu, se é que aconteceu algo mais grave, tudo não passa de uma tentativa frustrada de sequestro. E ele mesmo confessou. Tem várias atenuantes a favor.
— Eu devia contratar um assassino de aluguel e mandar meter uma bala na cabeça dele.
— Não fala isso! — Wayne me encarou, alarmado. — Você não é esse tipo de homem, irmão. Escuta o que eu vou te dizer: aproveita sua esposa e seu filho. Os dois estão bem, estão vivos, estão com você. Se Maitê decidir prestar queixa, vamos agir. Enquanto ele estiver internado, está sob controle.
Suspirei, tentando me acalmar. Ele tinha razão. Eu precisava estar inteiro para minha família.
— Vou comprar um presente para ela. A Léa está lá, mimando a amiga. E sobre o Rich… — sorri, mudando de assunto — você é o padrinho. E nem é um convite, é uma convocação.
— Que honra, cara — ele sorriu, emocionado —. Ser padrinho do filho do cara que eu considero um irmão...
Nos abraçamos, selando a amizade e a promessa de proteção mútua.
(...)
Maitê Moreli
— Eu quero morder o seu filho, ele é tão gostoso! — Léa exclamou, balançando Rich de um lado para o outro, como se fosse um bonequinho de pelúcia.
— Não faça isso! — pedi, rindo, observando-a embriagada pela ternura — E, aliás, ele é seu também.
— Claro! É o meu sobrinho postiço, da tia mais coruja de New Haven! — ela respondeu com aquelas vozes bobas e engraçadas que todo adulto faz ao falar com um bebê.
— E... afilhado. Você é a madrinha dele. Quer ser a madrinha dele?
Léa arregalou os olhos e abriu um sorriso tão largo que parecia uma criança recebendo seu presente de Natal.
— Se eu quero?! Meu Deus, é claro que eu quero! Isso é maravilhoso! Eu vou levar ele para o parque, pra praia, pro shopping…
— Calma, sua doida — ri novamente — ele só tem algumas horas de nascido. Vai demorar até ele poder passear com você desse jeito.
Nesse momento, a enfermeira entrou no quarto e avisou que precisaria levar o Rich para o berçário, para fazer alguns exames e deixá-lo descansar. Pedi que Léa a acompanhasse, só para garantir que ele fosse corretamente identificado.
— E avisa que não quero que ele fique no berçário por muito tempo. Quero ele aqui, comigo.
Cerca de dez minutos depois, Léa retornou.
— Fica tranquila, May. É enfermeira de verdade. Ela seguiu todo o protocolo, tinha outra profissional lá também. Estão fazendo alguns exames, mas disseram que logo vão trazer ele de volta.
— Eu... não quero ele longe de mim. — confessei, baixando a cabeça — Tenho medo... medo de que algo aconteça com ele.

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